sábado, dezembro 04, 2010

há assuntos para os quais não estou, definitivamente, preparada.


no carro, passamos por um presépio...

diogo: "mãe, aqueles são os pais do zezus [sic], não são?"

eu: "errr...são, diogo...quem te falou nisso?"

diogo: "foi uma colega do 2º ano...ela disse que o zezus vive no céu..."

eu: "ah...ok..."

diogo: "mas a M.N. [sim, a tua filha, C.] disse que o zezus vive no nosso coração...qual é a resposta verdadeira, mãe?"

eu: "eeeeerrrrrrrrrrrrrrrr...olha, filho...há pessoas que acreditam que Jesus existe e pessoas que não acreditam...e isso de ele viver no nosso coração é como a mãe te explicou do avô nicolau...como gostamos muito dele, dizemos que vive no nosso coração...entendes?"

diogo: "sim, mas eu acho que o zezus vive no céu!"



ok...

14 comentários:

Cláudia disse...

çGostei deste post! :)

No meu caso, estamos a educar a nossa filha, à semelhança da educação que tivemos (em especial eu)...

Claro que agora como adulta, há muitas dúvidas, mas tenho a minha fé, que não se prende a um Homem, mas a alguém superior.
E digo-te: Ainda bem que acredito... a vida tem que ter algo de espiritual, para além da vida terrestre que temos.

Quero acreditar que estamos numa passagem, a tirar muitas liçoes de vida e quero acreditar que um dia vamos todos ficar juntos (tenho no entanto, em momentos da minha vida, com muitas dúvidas e revoltas) mas também já me agarrei muitas vezes ao tal ser superior em momentos maus da minha vida...

Que seja um escape... mal não faz... e quando a minha filha crescer, logo tomará livremente as suas decisões.
Eu própria contornei muitas coisas que a minha mãe me explicou...

Afinal em tantas outras coisas educamo-los segundo os nossos principios... e nem sempre eles seguem o caminho!

Devemos como pais traçar-lhes um caminho... e o que eles escolherem, logo se vê!

No caso do Natal é uma festa cristã... quem não acredita, não o festeja ou simplesmente deverá adaptá-la a outras circuntancias...

É uma grande confusão, não é? :)

Mar disse...

Inês, eu vou partir do princípio (que pode estar errado ;) de que tu, como eu, não acreditas.

Eu digo isso mesmo - que não acredito (e tenho sido muito bombardeada com perguntas). Que acho que é só uma história, da imaginação das pessoas, como tantas outras. Que algumas pessoas acham que foi mesmo verdade, mas nós não. Tenho-lhe dito muito que pense pela própria cabeça, perguntei-lhe se acha que é lógico que haja pessoas a viver no céu. Como é que foram lá parar e como é que se seguram? Ele fica baralhado, mas tem parado para pensar. E eu não sinto que tenha que me justificar por causa disso. Não vou transmitir-lhe uma fé que não é minha. Nem passar mensagens dúbias quanto àquilo em que (não) acredito. Isso não faz o mundo dele mais duro ou menos bonito. Faz dele diferente, mas ele é nosso filho, é natural que, enquanto for pequeno, o veja pelos nossos olhos.

(sobre a morte, ficámos com a explicação de que o nosso corpo se desfaz em pó e ajuda a crescer as plantinhas e a alimentar os animais; não é mentira, embora seja simplista, e ajudou-o com uma morte recente).

InêsN disse...

Cláudia, cá por casa o Natal é a festa da família. isso e nada mais.

Mar, não acredito (se acreditasse tudo seria mais fácil, imagino). ele não me perguntou se acreditava porque se tivesse perguntado não lhe mentiria...mas não quero que acredite ou deixe de acreditar porque essa é a minha visão da coisa. gostava que fosse crescendo e tirando as suas próprias conclusões.

Cláudia disse...

Inês... se não acreditas, deve ser esse o principio a dar aos teus filhos... Quer seja na religião, quer noutra coisa qualquer.
Como pais devemos fazê-lo.

Seja na crença religiosa ou não, os teus filhos vão-te fazer perguntas e tu deves responder o que sentes e como foste educada.

Inês repara...
Há uns posts atrás, incomodava-te que eles acreditassem no Pai Natal, agora o Jesus para a V. familia também não faz sentido...

Então há que transmitir os valores que têm... não são + certos ou errados, apenas diferentes.

Primeiro têm que se "encontrar", face a todo este assunto... para o transmitirem aos V. filhos, com a maior segurança... mesmo que em determinhados momentos tenhamos as nossas dúvidas (e eu tenho-as tb muitas vezes).

Não quero de todo lançar nenhuma discussão, nem prevalecer na opinião, apenas acho que deves transmitir aos teus filhos aquilo que sentes, que acreditas... mesmo que vás ao contrário de muitas mentes.

Eu sou crente nalgumas coisas da religião católica, e também sei que quando morremos não ficamos "pendurados" no céu... aliás todos sabemos que isso é um dogma ou simbolo da fé cristã.

Educar é dificil....

Ai estes temas dão tanta conversa... e gosto disto, pois aprendemos todos um pouco uns com os outros...

PS- No entanto, Confesso que me custa a acreditar, que haja quem não acredite mesmo em NADA, NADA, de NADA!

InêsN disse...

cláudia, não tenho qualquer problema em ir "contra a maré". mas faço questão que os meus filhos, sabendo sempre aquilo em que acredito, formem as suas próprias ideias sem serem formatados por mim.

essa é a minha maneira de ser mãe. cada qual tem a sua :)

maedoskiduxos disse...

Inês, não estás a formatar ninguém, estás simplesmente a ser tu própria.
E há muitas coisas que nós, crentes, não conhecemos na totalidade. Como o céu, por exemplo. Nós conhecemos um mundo maravilhoso, e de forma limitada. Pensar que as pessoas ficam lá penduradas é bastante redutor. O universo é imenso e nós não o conhecemos. Não podemos querer dissecar tudo. "A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das que se não vêem." E por muito que eu ensine aos meus filhos todos os princípios da minha fé, se isso não crescer dentro deles como uma coisa sua, vão chegar à idade de decidir e de nada terá valido a minha retórica. Mais do que aquilo que lhes dizemos, vale aquilo que somos e fazemos.
Bjs

Anónimo disse...

Olá Inês,
:o)
Só quem conhecemos e amámos é que sabemos ficar no coração. O resto não sabemos lá assim muito bem... talvez no Céu.
O Diogo é fixe, ele já sabe. Tranquila.
Amélia do Benjamim

Mar disse...

Inês, eu percebo isso, mas então tens de lhe contar a tua versão da religião. Num país esmagadoramente católico, ele terá certamente pessoas próximas que sejam religiosas e lhe transmitam a sua versão das coisas. Nenhum descrente pode explicar a fé, deixa esse trabalho para quem acredita.

E não te preocupes. Ele acreditará ou não, isso não depende de ti. Mas é normal se não acreditar. É vosso filho. A maior parte dos filhos acabam por reflectir muito do que são os pais.

Rita disse...

Só por causa disto vou ali escrever um post também e já venho... e sabes, eu tb não estou nada preparada para isto! A minha no outro dia tb me perguntou o que era o "Jejus", e não se ficou pr aqui... bj grande

InêsN disse...

"Mais do que aquilo que lhes dizemos, vale aquilo que somos e fazemos." - Raquel, é exactamente nisto que acredito :)

Lígia disse...

Não querendo destoar mas já destoando aqui do "debate teológico"... Inês, imagina então eu e o meu namorado, que temos a mesma opinião que tu, para não dizer pior, e o filho dele, com 6 anos, ter sido levado para a igreja há coisa de 1 ano e tal (e nem é para aquela mais comum em portugal) pela mãe, (que abominava a igreja!!), e o miúdo chegar ao jantar e perguntar se podemos agradecer a Deus... How sweet is that? Como é que fazemos, para explicar a esta criança, que quem lhe põe a comida na mesa é o pai e não Deus, contrariando aquilo que anda a aprender? Quem diz este episódio diz muitos mais...felizmente que as menções à igreja acalmaram! Enfim...

Susie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Susie disse...

"Formatar" os filhos é o que fazemos em relação a tudo. Desde as escolas em que os colocamos, às roupas que lhes vestimos, aos espectáculos a que os levamos, às férias que lhes proporcionamos, à comida que comemos, aos brinquedos que lhes damos. A religião, a política, a educação sexual, por exemplo, são apenas mais alguns aspectos da vida como outros quaisquer... por isso penso que devemos tratar esses assuntos como tratamos os outros: ensinando-lhes da maneira como nós próprios vemos as coisas, como aceditamos, como achamos que está certo. Nada mais do que isso. Devemos responder aquilo que achamos... e não é por responderes assim que os vais estar a "formatar". Bem, ao fim ao cabo educar é isso mesmo, não é?
Formatar.
Quando chegarem à adolescência possivelmente vão pôr em causa tudo o que dizemos, pensamos e forma como os educámos... depois mais tarde, passados os anos conturbados, acabarão por pensar como nós...ou não! Encontrarão o seu caminho, esperamos.
É assim que eu vejo as coisas...e comigo é bem simples porque como eu não tenho ideias muito definidas sobre nada (nem política, nem religião, nem nada...) e estou sempre a ver os diversos lados das questões numa eterna dúvida - é mais um eterno "debate interior" :) vou-lhes transmitindo isso mesmo: há diversas opiniões, há pessoas que acreditam que é assim, outros que é "assado". Não sofro a pensar que vou criar uns indecisos. Dou-lhes as ferramentas (espero conseguir)e eles que construam a casa à maneira e gosto deles.
Don't worry too much... keep it simple :)

Susie disse...

Mas lá está...aqui está um belo tema de debate :) É mesmo disto que eu gosto.