sexta-feira, abril 27, 2007

pelo que vi, ouvi e li nos últimos dias

juro que para o ano, no 25 de abril, vou fazer uma "campanhazinha de sensibilização" sobre o tema...

(ando calada porque ainda não digeri a indiferença).

31 comentários:

Ana Costa disse...

Tb eu penso igual a ti, come pode cair no esquecimento uma data tão importante??? só pk nao a viveram.

ha que dar valor a toda a dor e sofrimento que antecederam este dia.

Irrita-me a indiferença das pessoas a este dia e tb ao acto eleitoral.

Até o discurso do nosso presidente da républica foi uma lastima ... em fim.

beijocas

Morena disse...

quero ver se no ano que vem vos encontro na av... e claro que quero levar os dois putos! :o)
Beijinhos

Mar disse...

Entendo-te perfeitamente e partilho a revolta. Às vezes, acho que a maioria das pessoas não merece a democracia que recebeu sem dar nada em troca. É uma vergonha!

Apoio a campanha de sensibilização! :)

Ana A. disse...

fPois o que eu escrevi em relação ao 25 de Abril, lamento, mas mantenho.
A dor e o sofrimento, a miséria, a analfabetização continuam, assim como as injustiças, a discriminação, o crime sem punição, etc... E, pelo andar da coisa, parece que a expressão de opiniões que vão contra o instituído também não goza de grande popularidade.
Não vou entusiasmar-me pelo 25 de Abril apenas porque vejo outros a dizer maravilhas do que foi a revolução...
Sei, porque li, o que se passou. Mas daí a dar pulos de alegria como se fosse alguém que o tivesse vivido ao vivo e a cores...vai uma grande diferença.
Não me entusiasma, pronto. Que fazer?
Também voto em branco porque sou apartidária e não me identifico com nenhum partido.
Desculpem a sinceridade, mas estou habituada a não esconder o que penso, por muito que reme contra a maré.

Catarina disse...

Ana A., se não fosse a revolução de Abril, não poderias sequer escrever o que escreveste...

Ana A. disse...

Eu sei. Mas não é por aí que me vou entusiasmar com a data.
Os espanhóis tb viveram numa ditadura, e estão bem mais à nossa frente.
Alguns dos países do antigo Bloco de Leste tb viveram muitos anos sob regimes totalitários, e estão a passar-nos à frente...portanto, há alguma coisa que continua mal.
O quê, não sei. Só sei que me entusiasmaria com o 25 de Abril se visse reais mudanças sem ser somente a liberdade de expressão. Realmente, podemos falar tudo, mas não é por isso que nos ouvem...

Mar disse...

Ana A.,

O erro é precisamente achar que o 25 de Abril serve para festejar o passado. Não. Ou melhor, não só. Serve para festejar a liberdade e a democracia que temos, hoje, ainda que nelas haja certamente muito para melhorar.

Não é preciso que te entusiasmes. Mas seria bonita alguma gratidão. Gratidão a gente que te deu bens preciosos - como o de poderes falar "contra a maré" - com grandes custos para si própria, para a sua vida e a sua felicidade.

A mim entusiasma-me ser uma mulher livre. Entusiasma-me ter direito a votar e não precisar de autorização para viajar, para me manifestar, para escrever. Entusiasma-me a igualdade que tenho em relação aos homens, no casamento, no trabalho, na vida. Tudo isso, foi Abril que me trouxe. Há coisas para mudar? Muitas, claro, não podia estar mais de acordo. Mas se perdermos o entusiasmo é que elas não vão mudar nunca.

Ana Costa disse...

Ana A

Lamento a forma como pensas, e não concordo nada. Acho que o quer que seja que leste há cerca do 25 de Abril de 1974, não foi bem compreendido.
Realmente a dor, o sofrimento, a miséria, a analfabetização , as injustiças, a discriminação, o crime sem punição, isso tudo q tu disseste, não deixam de existir, aliás o mundo não é perfeito, de qualquer forma todas estas injustiças neste preciso momento e falando em percentagens, são em nº muito inferior ao que se passava na altura, para não falar da muita fominha que havia.

A miséria era total e nem se quer pode haver forma de comparação, é muito triste termos opinião e nem se quer poder expressa-la como o fizeste agora, com medo de sofrer retaliações de toda a forma e feitio.

Em relação ao acto eleitoral, tens todo o direito de não te identificares com nenhum partido e votar em branco, ao menos votas, hoje, no ano 2007.

Em 1974 se calhar até votavas, mas as contagens eram matematicamente corrigidas, conforme os interesses.

E com isto tudo, acho que há um motivo muito grande para festejar, se todos pensassem como tu, não haveria tradição de espécie alguma.

Desculpa Inês o aluguer do espaço

Mãe Frenética disse...

Eu ia escrever q bastava-me ter havido o 25 de Abril para nao ter de pedir autorização ao meu marido para viajar, mas a Mar adiantou-se!! ;)

Tenho acompanhado o programa do António Barreto "A preto e branco e a cores" e consigo ver as diferenças, mas tb o q falta. Festejar o 25 de Abril não significa perder-se o espírito crítico. Significa q o podemos exercitar.

O 25 de Abril trouxe, mais do q liberdade de expressão, melhorias na saúde, educação, condições de vida, igualdades sociais e nas oportunidades.
Pq eu sei (a minha familia sabe) como era a saude em 1974 e em 1994. Não há comparação. E continua má... por isso imagine-se.

O Príncipe Duarte disse...

25 de abril uma data que nada me diz, mas respeito a opinião de todos.

bjs

alice+duarte

Mãe Frenética disse...

Tb ha um aspecto q é mto importante nao esquecer - a guerra. Todo o jovem saber q ia para a guerra e q podia morrer.
Familias separadas, destroçadas, casamentos por procuração, homens q vieram desfeitos da guerra colonial, filhos q nunca conheceram os seus pais.

No dia em q o meu tio foi para a guerra o meu avô a minha avó morreram um pouco com ele.
O meu pai nao foi pra guerra pq ainda andava na faculdade e tinha direito a adiar a partida ate ao fim do curso.
O meu tio voltou, mas ainda outro dia me contava q continua com pesadelos... ao fim de mais de 30 anos.

Entendo e fico contente por mta gente nao ter de conviver com estas recordações e q por isso o 25 de Abril nao lhes diga mto.
Mas tb percebo mto bem q magoem mta gente a quem o 25 de Abril lhes diz tudo...

Ana A. disse...

Posso sentir-me grata de muitas maneiras, sem nutrir grandes simpatias por um dia que, para mim, nada mais foi de aproveitamento político de alguns usando o povo em seu benefício próprio.
Porque isso é que chateia: andarem sempre com a palavra "povo" na boca, quando, no fundo querem o poder para uso e abuso, marimbando-se para o povo que lhes dá autorização para o regabofe de 4 em 4 anos.
De que vale a liberdade toda? O povo só "ordenou" ( e muito bem) para acabar com o salazarismo. De resto, pouco ou nada é visto e achado.
Foi para isto que outros deram a vida?
Se temos liberdade? Também, era o que faltava se não tivéssemos...mas, não chega!
Não é isso que dá pão para a boca, nem seriedade a quem deveria ter como responsabilidade conduzir bem os destinos de um país!

Sónia disse...

Este ano a Data passou um bocado ao lado lá por cá! Devido a cansaço, falta de tempo, sei lá!

Mas não pode acontecer mais! Quero que a minha filha, tal como eu, viva este dia como um marco de liberdade para todos!

Beijos!

Catarina disse...

Ana A.,
"Se temos liberdade? Também, era o que faltava se não tivéssemos..."
Será que tens noção do que é a liberdade? aliás do que é, não ter liberdade???

Catarina disse...

Inês, desculpa esta manif!
Beijos a todas, e não se esqueçam...somos livres de voar e viva a liberdade! Bom fim de semana!

scaf disse...

Sai uma semaninha a viver em plena ditadura para a mesa do canto sff
(queria ver ao fim desse tempo quem ia dizer que o 25 de abril foi uma coisa má e que afinal de contas nada mudou)

inesn disse...

finalmente algum debate...a ideia era esta mesma.

ana a., acho que estamos demasiado habituados a esperar que as mudanças aconteçam, a apontar o dedo e nada fazer.

se há muito por fazer? claro que há! se depois de abril muito ficou pelo caminho? sem dúvida. mas somos nós que temos que manter a chama acesa, celebrando abril e mostrando que estamos aqui e que não nos conformamos...

Ana A. disse...

Sei.
Basta que eu não possa andar na rua descansada, sem ser uma potencial candidata a ser assaltada, quiçá morta por algum filhinho da tal liberdade.
Se faço queixa, não só põem o menino em liberdade (ou lhe dão uma pena anedótica), como ainda passo por fascista (ou racista, se o assaltante for de uma minoria étnica) ou coisa que o valha.
Não é angustiante?
Não é também uma forma de repressão? Não é injusto?
Não ficas revoltada com estas coisas? E não se pode fazer nada aos coitadinhos, que são uns marginalizados, e tal...
Portanto, a liberdade de um cidadão honesto e inocente fica sempre condicionada, em última instância, pelo próprio poder (judicial) que admite a impunidade, e não admite autoridade (muito confundida, infelizmente, com autoritarismo).
É que o horror ao autoritarismo e à repressão trouxe o extremo oposto, e com isso, outras formas de repressão.
E pelo que vejo isto é tendência.
Não disse que o 25 de Abril foi uma coisa má. Para mim, não foi boa, nem má. Foi um meio para se atingir um fim. E, para mim, o fim foi dar, através do povo, o poder a gente que se serve, em vez de servir.
E tb não disse que apoio ditaduras.
Nenhuma ditadura, nem a do politicamente correcto...

inesn disse...

celebrar aquilo que temos de bom, aquilo que os nossos pais e avós nos deram de melhor, não é politicamente correcto...

infelizmente o que é politicamente correcto hoje em dia é dizer mal de tudo e de todos.

(não estou a falar de ti, ana, como penso que sabes.)

patrícia disse...

celebrar o 25 de Abril não é dizer que está tudo feito, deve ser precisamente o oposto, deve-se aproveitar uma data tão significativa para se mostrar o que está ainda por fazer.
Pena é que existam pessoas como a Ana e pensam que quem reclama e quem defende os ideais de Abril são os "filhinhos da liberdade" que na realidade só a usam para praticar "o mal".

Ana A. disse...

Inês, eu sei. ;)
Mas o politicamente correcto não é só dizer mal. O politicamente correcto é falar as coisas de acordo com a ideologia que subtilmente está impressa em toda a nossa cultura: com medo de se ferirem susceptibilidades, as pessoas calam-se, não dizem o que têm para dizer, porque acabam por ser ofendidas e conotadas com...
É nesse sentido que falo do politicamente correcto.
E isso é uma autêntica censura! Subtil, mas não deixa de ser censura!
Se eu me manifestar contra a onda de vandalismo que ocorre na minha zona e, se por acaso, os prevaricadores são africanos ou de ascendência africana, ai Jesus! que sou uma racista. Percebes o que quero dizer?
Se me manifesto contra a legalização da prostituição, sou uma retrógrada, uma moralista de pacotilha, entre outros mimos.
Eu não posso manifestar-me, sem ser logo catalogada. E isto é uma forma de repressão e de agressão.
Para se acabar com uns estigmas, criaram-se outros.

Ana A. disse...

imshsComo exemplo do que disse, o comentário da Patrícia é bem ilustrativo: ela queixa-se da minha existência.
E quando falo em "filhinhos da liberdade" são precisamente os que não a sabem usar. Acham que liberdade é fazer tudo o que lhes vem à mona.
E infelizmente as grandes cabecinhas pensadoras do nosso Portugal, acha que estes meninos não podem ser punidos, ainda que as suas brincadeiras lesem terceiros...

Ana A. disse...

Nem todos podemos ter opiniões iguais. Neste assunto, como em muitos outros, eu (e outras pessoas) temos opiniões diferentes da maioria.
Mas não me considero cidadã de segunda por causa disso.
E não admito que me considerem cidadã de segunda por não ter uma opinião consensual.

patrícia disse...

Eu não me queixei da tua existência, eu queixei-me da ideia que aqui estas a defender. É por haver pessoas que pensam assim que acontece cenas como as de quarta-feira, que quem se quis manifestar levou com a "democracia em que se tem de pedir licença para poder reclamar".
E parece-me que não sabes o que é racismo também. Se te queixares de quem vandaliza a tua zona e os referires como "os filhos da p*" eu não te chamo de racista. Mas se disseres "os filhos da p* dos pretos", aí já chamo. Consegues ver a diferença?

Mar disse...

Sei que o que a Ana A. tem a coragem de escrever é o que muita gente pensa, mas cala. E isso é triste.

Quando se fala no governo, e nas tais pessoas que se servem em vez de servirem, só tenho a dizer uma coisa: a culpa é nossa. É nossa, enquanto povo, que deixámos as coisas chegar onde chegaram. E, essencialmente, é culpa de quem votou neles, e de quem não votou, de todo. É culpa de quem não se disponibiliza para fazer melhor, de quem não luta contra os abusos, de quem compactua com a corrupção nas pequenas e grandes coisas. A culpa é nossa.

A culpa da violência de que a Ana A. fala também é nossa. Porque encolhemos os ombros no combate às suas verdadeiras causas. Porque deixamos governo após governo gastar o nosso dinheiro em benefícios fiscais à banca e obras públicas megalómanas e corruptas em vez de fazer tudo o que falta na saúde, educação e habitação. Claro que isso não desculpa quem rouba e comete outros crimes, e essas pessoas têm que ser punidas. Mas enquanto não resolvermos os problemas na origem, eles vão continuar a crescer. Temos um dos países da Europa com ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Ana A., a prostituição já é legal. Lei nenhuma a proíbe e eu acho muito bem. E, sim, acho que é moralismo hipócrita que, face a isso, não seja considerada uma profissão. O que não significa que não se deva lutar contra ela e oferecer alternativas. Também acho que é moralismo hipócrita não legalizar o consumo de drogas leves. Acho que é moralismo hipócrita proibir o consumo de tabaco nas prisões. Acho muitas outras coisas. E, tal como tu és classificada, eu também sou. Como esquerdista histérica e patética, leviana, etc, etc. Antes assim. É sinal de que dizemos o que queremos, e só graças a Abril o podemos fazer.

Ana A. disse...

E qual a ideia que defendo?
Olha, defendo que as pessoas possam dizer tudo, inclusivamente, discordar da maioria, sem ter de levar com estigmas em cima.
Defendo que autoridade nada tem a ver com autoritarismo e que viver em liberdade também pressupõe o cumprimento de deveres, não é só andar a berrar por direitos quando não se faz a ponta em prol do bem comum.
Defendo que os governantes saibam servir e não servir-se do povo.

patrícia disse...

a ideia a que respondi foi a de que o "25 de Abril é só mais um feriado", que não te "diz nada", e a de que nada mudou nestes 33 anos.
E também não me parece que alguém te tenha catalogado, eu pelo menos não. Tu é que te estas a vitimar, mas ninguém te ofendeu nem tratou mal e muito menos se queixou "a tua existência"
E é um bocado contraditório perguntares para que serve "esta liberdade toda" e depois queixares-te de que te estão a catalogar e que não te querem deixar falar.

Amélia do Benjamim disse...

Mal-estar partilhado!
Apoio a campanha de sensibilização, pensemos nisso, temos algumas responsabilidades, e por isso, direitos e deveres.
Entretanto, espero sinceramente, que quem não sentiu o peso dessa mesma responsabilidade ao escrever aqui 'liberdade', ou 'liberdade de expressão' ou de opinião, não sinta também, que corre perigo de vida.
Para mim, uma das diferenças é mesmo essa.
Simples, não? VIDA. Um assunto sério.
25 de Abril, sempre!

Margarida Atheling disse...

Estava mesmo a imaginar-te a arregaçar as mangas!
Já sabemos então... será para o ano!

Bjs!

Monica disse...

Eu não a vivi e mesmo assim acho que se lhe dá pouca importância :(
(vou privatizar linda, se quiseres manda-me mail para totinhas@gmail.com)
Beijocas

nana disse...

conta comigo!!!

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