quarta-feira, janeiro 10, 2007

aborto - referendo

ia aproveitar que de amanhã a um mês se realiza o referendo para falar sobre o assnto mas recebi hoje um mail que me deixou piurça...

se há coisa que me irrita (tanto mas tanto) é o tipo de ataques e de truques que as campanhas do Não utilizam para levar a sua teoria avante.

só vou comentar uma das ideias porque me repugnou tanto que não posso deixar a coisa passar: comparar o aborto realizado nos dias de hoje, de forma livre e informada, aos abortos realizados pelos nazis nos campos de concentração só pode ser uma piada de MUITO mau gosto. que idiotice! que coisa mais estúpida! é inqualificável, nem vale a pena adjectivar mais!

e para arrumar com o assunto de vez (é que estou mesmo lixada com isto): eu vou votar SIM. se pudesse votava 500 vezes SIM. porque, para além das minhas ideologias e daquilo que eu penso sobre a vida humana, se eu posso fazer um aborto em condições de higiéne e saúde (basta-me ir a espanha para isso), então qualquer mulher portuguesa, independentemente da sua condição social, também o deveria poder fazer.

179 comentários:

alice+duarte disse...

Concordo 100% contigo.


bjs
alice+duarte

Monica disse...

Qualquer dia mais vale que Espanha nos anexe de vez... para ficarmos com a saúde, os ordenados, o custo de vida... (quando 1kg de café português e 1L de azeite são mais baratos numa mercearia na fronteira do que noutra a 2 passos, em território português... )
Beijos

Mar disse...

Nem precisas de ir a Espanha. Cá na terrinha fazem-se à luz do dia na "clínica das senhoras finas", a 200 metros de minha casa.

Além disso (e vou repetir isto em todas as discussões sobre o tema) o que se está a perguntar não é se concordamos que se façam abortos. É se, depois do aborto feito, queremos que a mulher vá para a cadeia. A proposta é que isso não aconteça, quando a interrupção da gravidez tenha sido feita até às 10 semanas. Os indecisos que pensem se adianta alguma coisa a pena de prisão que a lei ainda prevê.

Ana disse...

Nem mais!

Era uma vez a vida disse...

amen!

borboleta disse...

500 vezes, não... MIL VEZES, um milhão de vezes SIM.

beijinhos

ni disse...

e mai' nada!!!
Raio de país cheio de falsos moralismos e hipocrisia galopante...

bjs e abraços

carla disse...

Onde é que assino??

Beijo

Patrícia disse...

100% de acordo!!
Também vou votar SIM!!

beijinhos

ana disse...

vi, um destes dias, uma campanha num outdoor que dizia qualquer coisa como contribuir com os meus impostos para financiar clinicas onde se pratica o aborto? não, obrigada. apeteceu-me rasgar aquilo tudo. fiquei com tanta mas tanta raiva que nem consegui pronunciar palavra. só me apetecia torcer o pescoço a quem tem esas ideias primitivas que destroiem qualquer possibilidade de um debate civilizado. é horrivel. é indecente, profundamente demagógico e, pior, influenciador de opiniões das pessoas que confiam no que vêem para fundamentá-las. entristece-me, revolta-me saber que vivo num país que usa golpes baixos como o exemplo que deste e como este. enfim...

Ana Costa disse...

SIM ... pela liberdade de escolha de expressão ... e por muitas outras razões.

Costinhas disse...

Pelos vistos não são apenas os nossos filhos mais novos que andam em sintonia.

Ia escrever um post que dizia basicamente o mesmo.

Fica para mais tarde.

Patrícia M disse...

Faço tuas as minhas palavras! Mas infelizmente, algo me diz que o Não vai voltar a ganhar...
Há muita muita gente neste país com uma mentalidade muito retrógada...

É a realidade! Nua e crua. Quem me dera estar enganada.

Ana A. disse...

Sou votante pelo "NÃO" e tb já fui insultada. Não é agradável ser-se permanentemente catalogada por se defender uma determinada posição.
Serenidade, educação e troca de ideias deve imperar e de ambos os lados.

Avozinha disse...

Eu também voto NÃO, o que de modo algum é ser retrógrado ou hipócrita. Podemos defender opiniões diferentes sem nos insultarmos, penso eu.
Abraço!

Tia Moky disse...

Cada um deve ser livre de fazer o que entende com o seu corpo e tem o direito de o fazer de forma digna e em condições!

A mim irrita-me aquelas famílias numerosas que vêm falar em público! Quando se sabe que têm muitos filhos porque são de famílias com condições financeiras para os ter...e eu pergunto e os outros?! Que têm de abdicar dos filhos porque não podem dar-lhes de comer?! É isso a que chamam VIDA?!

Voto "SIM" e se podesse votava 500 mil vezes!

Desculpa, Inês, usar o teu post para desabafar...

Beijos

Moky

Quicas disse...

Voto SIM com todas as letras! SIM SIM SIM! Porque temos o direito à dignidade.

Leonor disse...

Eu tb sou pelo NÃO, mas entendo perfeitamente quem vota no SIM. Infelizmente a maioria dos votantes no SIM, vêem os votantes do NÃO como retardados e hipócritas... Eu penso que o mais importante é repeitarmos as ideias e opiniões uns dos outros. Cada um tem as suas razões para votar SIM, ou NÃO.
Beijinhos

sonia disse...

Eu também vou votar no NÃO, acho que hoje em dia já existe muita informação, distribuem pílulas, preservativos (nas escolas)é mais fácil evitar uma gravidez indesejada...

E não me considero hipócrita, nem falsa moralista...só tenho a minha maneira de ver e pensar diferente de certas pessoas e como vivemos num país livre, acho que devemos expressar a nossa opinião sem que nos alcunhem de certos nomes!

Bjs

MC disse...

Ai Inês ... mas vou cingir-me ao comentário do teu post: respeito a escolha dos outros, mas concordo que a campanha a favor do não tem primado pelo mau gosto, em imagens, comparações ... afirmções descontextualizadas ... enfim ... está mesmo a apetecer-me escrever sobre isso, mas acho que seria um texto interminável ...

Muito Obrigada por este post. Deu-me força para começar o Dia!

Beijinho Enorme!

Anónimo disse...

Tambem sou pelo sim! O que se poderá gastar a mais agora com o aborto, poupa-se mais tarde com rendimentos minimos garantidos! Ou com investigações e prisões por maus tratos de pais a filhos não desejados!Cada um deve ter o direito de escolher quantos filhos pode e quer ter! A contracepção não é segura a 100%. E se acontecer ficar grávida e a tomar a pípula? Não havendo condições penso ser melhor abortar... Portanto, SIM SIM SIM...

barbarayu disse...

Eu também concordo contigo e vou votar no SIM. Mas acho que este país não deve ficar de braços cruzados depois da despenalização. Há muito para fazer na educação deste país, principalmente na educação sexual das nossas crianças, é necessário trabalhar de raiz de não corremos o risco de remendar situações que à partida poderiam ser evitadas e que podem vir a ser traumáticas para cada mulher (pois acredito que a grande maioria das mulheres que abortem de livre vontade não o façam de ânimo leve...).

Na minha opinião: há que trabalhar nos dois sentidos, no antes e no depois.

um beijo e desculpa o testamento!

Sónia disse...

Inês, onde é que eu assino!??!

Concordo contigo 500%!

Respeito as opiniões de todos, se respeitarem as minhas tb!! Tenho uma colega de trabalho que apesar de saber da minha opinião e de termos "discutido" o tema milhares de vezes, insiste em enviar esses mail, que só mostram que realmente não sabem defender as suas próprias opiniões, e então resolvem chocar!! E com "argumentos" tão ou mais ridículos do que esses!!!

Fico doida!! É obvio que voto SIM! Chega de hipocrisia neste pais!!

Anónimo disse...

Quem defende a questão do NÃO, com base "nos impostos" financiarem clínicas, blá, blá, blá... espero que não se esqueça, que também financiou estádios de futebol ridiculamente caros, submarinos e tantas outras coisas para as quais nem sequer nos pediram opinião... Também não concordo que os impostos sejam utilizados em tal, mas o que está em causa é a DESPENALIZAÇÃO e não o aborto, certo?
Aceito opinião de cada um, mas acho que as campanhas pelo NÃO, estão arranjar fundamentos pouco lógicos.
Felizmente que vou ter oportunidade de ter "voto na matéria" nalguma coisa que diz respeito o país onde nasci, vivo, trabalho e contribuo para os marmanjos do poder...
Vou votar SIM.
Lila

Anónimo disse...

Eu sou pelo Não!!!!!;Mas respeito quem é pelo não. O qure não em parece que aconteça ao contrario....pelos vossos posts...

Mas se querem q seja legal (eu n concordo) tudo bem...mas então quem quiser fazer o aborto que o pague!!!eu não vou pagar???Pago coisas que por mim não pagava?Pago..nunca me perguntaram..se pergutnassem eu diria NÃO também..agora perguntam, eu vou dizer não...

Sabem porque??? porque não concordo com a morte...com o assassinio....para mim um bebe mm com menso de 10semanas, é um bebe??? alguam de voces já fez um aborto expontaneo antes das 10 semanas??? se sim??? Sofreram??? Acham que era uma vida ou não?

Se decidir que não tenho condições financeiras para sustentar o meu filho com 2 anso, mato-o!!!!!!!!é assim que eu vejo...

Mas é logico que também não gosto de ver pessoas a morrer pq fizeram um Aborto!!!mas comparativemente prefiro isso, a chegar a um hospital e ver muitz gente para fazer um aborto...

Será que não via haver listas de espera???

Anónimo disse...

Peço desculpa por alguns erros...é para ser rapida...
E Claro, que o 1º paragrafo, esta errado...é
Eu sou pelo Não!!!!!;Mas respeito quem é pelo sim. O qure não em parece que aconteça ao contrario....pelos vossos posts...
:);)

mãe babada disse...

Oh Inês, que tópico tão q

mãe babada disse...

Oh Inês, que tópico tão quente :9
Só tenho uma palavra para ti: SIM
Beijocas

rakel disse...

A estupidez maior ainda é presuporem que quem vota a favor do sim à despenalização do aborto até às 10 semanas é a favor do aborto.
Eu vou votar sim...à despenalização, mesmo sendo pessoalmente, e sublinho pessoalmente( ou seja, se fosse comigo), contra o aborto.
E as campanhas do não cheiram-me sempre a hipocrisia. batem no peito cheios de moral mas depois se soubessemos a verdade por detrás das vidas de muitos deles provavelmente descobríamos que era só muita culpa disfarçada.

Ana A. disse...

Já disse que voto NÃO.
Isso faz de mim, automaticamente, uma hipócrita, uma gaja de mente retrógrada? Eu tenho um nome (ANA) e, como todas vocês que apoiam o SIM 500 mil vezes, também tenho direito às minhas convicções e a ter outra leitura sobre a proposta de Lei sem ser permanentemente insultada.
Da mesma forma que não concordo com esses mails que certos militantes do "NÃO" enviam, também não posso aceitar que, para se defenderem desses "ataques", os militantes do "SIM" ataquem pessoas que defendem uma opinião contrária, ainda que nada tenham a ver com as idiotices dos que dizem defender o mesmo.


E depois, alguém sabe se os defensores do NÃO já fizeram abortos, ou se os fazem em Espanha? Já acompanharam algum a uma clínica para esse efeito?

Anónimo disse...

Completamente de acordo com tudo o que dizes!

bjn, Bea e Sara

Princesa Julinha disse...

Já nem comento acerca do assunto...porque ouve-se de tudo...e com cada barbaridade! :S

Bjs

fátima azevedo disse...

Há barbaridades dos dois lados. E eu acho piada, quando acham que ser-se a favor da vida e contra a morte/assassínio de alguém, não é suficiente para se votar NÃO. Para mim é mais que suficiente. Vou votar NÃO. não quero que a mulher vá presa depois de fazer o aborto. QUERO QUE A MULHER NÃO O FAÇA!
Beijinhos

fátima azevedo disse...

E depois há mais uma coisa: o homem não tem direito a uma palavra? A liberdade de escolha é só para a mãe da criança porquê? Porquê que se a mãe quiser abortar, e o pai não quiser que ela aborte, a mulher pode abortar na mesma? Porquê que se a mulher não quiser abortar e o pai quiser que ela aborte ela não é obrigada a faze-lo? Estão a querer dizer-me que o pai só serve para FAZER OS FILHOS?
Isto já é um bom argumento para defender o NÃO? Eu penso que sim. Este e muitos outros, que infelizmente, utilizam pouco nas campanhas. É verdade que utilizam argumentos estúpidos, deviam pegar em mais argumentos como este.
E agora se os inumerasse todos não saía mais daqui... por isso fico-me.
Beijinhos

Anónimo disse...

Sou a favor da despenalização,daí o meu sentido de voto ir para o SIM. No entanto, gostaria de referir que, perante os comentários que tenho lido,estão todos muito preocupados com o destino dos nossos impostos...que se recusam a pagar a prática de abortos e afins. Não é isso, como todos sabemos (ou deveríamos saber), que vai ser referendado. É a possibilidade ou não de uma mulher poder ser presa depois de fazer um aborto. Muita falta de informação (ignorância mesmo!!!)paira por estas mentes do NÃO... Deixo só aqui uma questão: a mim, contribuinte assídua, alguém me perguntou se eu queria pagar tratamentos a pessoas que nem conheço??? Se queria que os meus impostos comprassem as barbaridades de carros de luxo que compram??? Se queria pagar um escândalo como pago para uma segurança social que pura e simplesmente não funciona e que não me serve para rigorosamente nada??? Se queria pagar por tratamentos anti-tabágicos a quem era fumador, alcoólico ou toxicodependente??? Sejamos realistas...deixem-se de hipocrisias!!! SIM, SIM, SIM!!! Sempre!

scaf disse...

o que mais me surpreende em grande parte destes comentários (se me permites in~es, vou comentar os comentários também :P) é começarem por dizer que respeitam as opiniões dos outros, mas quem é adepto do 'não' acaba por, na mesma frase chamar os outros de assassinos e quem é adepto do 'sim' apelidar os outros de hipócritas. Isto é respeitar a opinião dos outros? Não me parece.
Quanto ao referendo,e correndo o risco de ser insultada (heeheheh) irei votar sim. E nem adianta explicar as minhas razões, pelas razões mais óbvias.

Anónimo disse...

isso de se pensar que quem é a favor da despenalização do aborto é a favor do mesmo é do mais estupido que há. Eu fiz parte das estatisticas de adolescentes grávidas e só não abortei porque não quis. Sabia que tinha condicções de criar o meu filho e portanto decidi não abortar. No entanto sou a favor da despenalização porque há mulheres (adolescentes ou não) que não têm condicções financeiras ou psicologicas para criar uma criança. Porque há muitas mulheres que, mesmo tomando cuidado, engravidam (será que não sabem que uma simples diarreia pode travar o efeito da pilula?). A banalização do aborto é uma coisa que também me assusta, mas é preciso saber que despenalização é diferente de banalização.
Deixemos de ser hipócritas

ursitazul

InêsN disse...

Fátima, daquilo que li, é impossível neste momento saber-se quem é o pai de uma criança não nascida. os testes de adn só podem ser realizados depois do parto pelo que o seu argumento, por mais que eu o compreenda (também me faz aflição pensar em homens que não querem que a companheira aborte e que pouco podem fazer), não tem grandes bases de apoio. neste caso, a palavra é da mulher, sim.


a questão, a meu ver, é só esta:

as mulheres fazem-no, de um modo ou de outro. cá ou lá. num vão de escada ou na clínica 5 estrelas. com medicação ou cirurgia. com ou sem complicações posteriores. com ou sem a sua própria morte.


(não vou comentar comentários que misturam uma IVG com um aborto espontâneo. parece-me absurdo demais...)

(scaf: concordo em absoluto. já percebi que é impossível um debate limpo sobre este assunto).

Ana A. disse...

Inês, mas fazem-no porquê?
Se o aborto é um problema de saúde pública, convém identificar as causas do mesmo para que se previna.
Ainda que seja feito em condições, o aborto é e será sempre uma violência a que uma mulher tem de se submeter porque, infelizmente, não encontrou alternativas ao mesmo.
Podem dar-lhe condições de higiene, mas os problemas que levam a mulher a abortar continuam. Portanto, enquanto a raíz do problema não for eliminada, a mulher ver-se-á coagida a recorrer a ele.
Quanto a mim, é este o problema de fundo.
E, como vêem, não precisei de insultar ninguém para expôr as minhas questões quanto ao tema.

Ana A. disse...

Nem referi questões de impostos...

InêsN disse...

Fazem-no porque a nossa sociedade não é perfeita nem nunca vai ser. fazem-no porque não têm condições financeiras para os terem e o estado também não lhas dá (eu trabalhei na seg. social, não me venham falar nos apoios do estado...). fazem-no porque o método contraceptivo que utilizaram não funcionou e não estão preparadas para serem mães. fazem-no por mil e uma razões e têm, quanto a mim, o direito de o fazerem sem medos.

(é claro que se tem que arranjar forma de apoiar as mulheres que não querem abortar. mas isso não vai contra nada daquilo que eu disse atrás).

e ana, é claro que é uma violência tremenda. e não o é também o facto de o terem que fazer às escondidas, sem qualquer apoio?

Ana Costa disse...

BEM E GEROU-SE AQUI UM DEBATE E PERAS ...
CAUSAS HÁ MUITAS, MESMO MUITAS ...
VOU VOTAR SIM
EMBORA TENHA A CERTEZA QUE O NÃO VAI VERCER ... É PENA, MUITA PENA, PK OS ABORTOS VÃO CONTINUAR A EXISTIR E EM SITUAÇÕES DEGRADANTES NA MAIORIA DAS VEZES

Sónia disse...

Bom, Inês este blog, hoje parece um fórum! Mas ao reler o meu comentário achei que tinha sido demasiado prática! Eu não sou a favor do aborto, É CLARO QUE NÃO! Sou a favor da despenalização do mesmo! Do não prenderem mulheres pelo facto de terem feito um aborto, e de certeza que as que apanham são as que por mais dificuldades passam! É Lógico que era muito melhor começáramos pelo principio, promover em toda a gente uma boa educação sexual e como precaver uma gravidez, mas infelizmente isso não acontece e ao que parece vai demorar muiiiito tempo a chegar a todos! Logo muitas das mulheres por razões várias (e acredito piamente que não seja a "sangue frio", ou que o façam "na boa") optam (sem mais opções) por abortar! Se o fazem se o continuam a fazer, se TODA a gente sabe, vê, porque é que continuamos a ser hipócritas e agir como se nada acontecesse??? Porque negar-lhe acompanhamento médico adequado? Porque castiga-las?? Ou acham que já não o foram o suficiente???
Eu vou votar sim , já tinha feito, e vou voltar a votar, em consciência, desta vez como Mãe, Mulher, cidadã!! Eu ainda acredito que podemos mudar alguma coisa neste pais! Temos que começar por algum lado!
E vou-me calar! Juro!
BJS!

Ana A. disse...

Ora aí está, Inês. Passa pela erradicação dos problemas que levam ao aborto.
Sinceramente, achas mesmo que uma mulher quer recorrer ao aborto se lhe for dada uma alternativa que a livre disso?
Por exemplo: uma mulher que diz não desejar o filho. Importa saber porquê. A pergunta "porquê" não é julgar. É querer saber a razão. É interessar-se pelo que a outra pessoa está a passar. Estamos a falar de um filho, não de uma coisa qualquer. Portanto, ou sou muito ingénua, ou acho que não desejar um filho deve ter uma razão muito, mas muito forte por trás. Não seria muito melhor acompanhar a grávida no sentido de desmontar toda a ansiedade, de descobrir as razões do não querer o filho e combatê-las? Ninguém quer uma coisa porque sim. Há sempre uma razão.
Argumentos de que "uma mulher não é uma incubadora" ou que "ninguém é forçado a ter um bebé indesejado" até podem ser válidos, mas, na realidade, para mim, camuflam o verdadeiro problema, atirando a mulher para um ainda maior.
A mulher, lá está, vai recorrer ao aborto, quando poderia ter sido ajudada a perceber o que motivava a repulsa pelo filho.
O que me entristece, desculpem-me, mas é o que sinto, é que todos nos queixamos que a vida vai mal, que é uma merda. Mas, quando temos a oportunidade para fazer a diferença e mudar o rumo das coisas, fazemos questão em passar por cima dela.

ursitazul disse...

ana, só estas a pensar em pessoas que tenham possibilidades de ter os filhos,mas há quem não as tenha. Olha o caso de prostitutas, o caso de familias com graves problemas económicos, adolescentes de 13/14/15 anos. Não seria justo dar-lhes hipotese de escolha sem que corresem o risco de ir para á prisão

Ana A. disse...

A responsabilidade em prevenir abortos não deve ser só do Estado. Deve ser de cada um de nós.
Até porque todas temos colegas de trabalho, amigas, filhas, irmãs, primas. Concerteza que isso não leva tempo a concretizar, até porque quero mesmo crer que todas somos contra o aborto. Se somos, temos também a nossa parte de responsabilidade em preveni-lo. Se cada um fizesse um bocadinho, se se comprometesse...não seria uma sociedade mais justa? Talvez nos apercebêssemos de coisas incríveis!
Tenho um caso na minha família: uma prima minha de 19 anos que está, actualmente, grávida de 8 meses. Quando descobriu a gravidez, julgo que ao 4º mês (logo, poderia ir para a cadeia à mesma, se levasse avante o aborto), pediu 600 euros à madrinha. Era para fazer um aborto.
Ainda bem que lhe perguntaram o que ia fazer. Ela disse, mas com medo que fossem contar a alguém.
Ninguém contou nada a ninguém, ela não foi julgada por ninguém, foi apoiada e o seu bebé também.
Na altura em que ela esteve para fazer isto, não tinha nada de nada para ela, nem para o bebé.
A madrinha sugeriu-lhe que pegasse nos 600 euros (que eram para o aborto)para começar a montar a sua casinha. O resto, que não se preocupasse, que a família iria ajudar.

ursitazul disse...

ana, eu engravidei com 19 anos, e tive o meu filho porque tive quem me apoiasse, tal como a tua prima tem. mas nem todas temos a mesma sorte.

Ana A. disse...

Ursita, não defendo que uma mulher deva parar à cadeia. Mas também não posso aceitar que o Estado legisle no sentido de, objectivamente, não considerar a prática abortiva um mal a ser combatido para o tornar num direito legítimo, em que basta apenas o pedido da mulher.
Agora são 10 semanas, mas enquanto houver aborto clandestino, o prazo continuará a esticar.
Estou a falar de todas as mulheres. Se não têm condições, por favor, dêem-lhas.
Uma prostituta? Por que não abandonar a prostituição e ter o bebé? Uma adolescente? Por que não acompanhá-la no que pode ser uma oportunidade de crescimento? Famílias com carências económicas? Por que não a ajuda à família para acolher o bebé?
Famílias disfuncionais? Por que não o acompanhamento de perto à família?
Em casos extremos em que, de todo, não têm condições mesmo para criar a criança - agilize-se os processos de adopção (há mais gente a querer adoptar que crianças a adoptar).
Dar uma oportunidade à vida, é dar a possibilidade das possibilidades.
Por que não? Estará toda e qualquer mulher que não cumpra determinados requisitos condenada a ter de abortar porque "não tem condições"? E se lhas dessem? Se se interessassem por ela? Se estivessem com ela?

ursitazul disse...

deves saber que isso não é facil de realizar. Uma mulher não está na prostituição porque quer, uma miúda de 13 anos com um filho no colo não vai crescer mais rapidamente. vai ser o estado a financiar a manutenção de uma casa com 6/7/8 pessoas indefinidamente? sabemos que isso não é possivel. a única questão em que concordo contigo é no caso da adopção, que deveria ser mais fácil e rápida. aqui até acredito que se deveria adoptar o estilo de alguns estados americanos em que um casal que vai adoptar pode até acompanhar a gravidez da mulher que lhes vai dar os filho

ursitazul disse...

óh inês, não nos vais mandar calar? a casa é tua... desculpa a invasão de espaço

Sandra disse...

Faço minhas as palavras da Barbara Yu.

Ana A. disse...

Sei que não é fácil, mas é possível.
Mas também sabes, Ursita, que perante um problema (aborto), se tiveres uma solução mais rápida, e enquanto assim for, ninguém mais pensa noutras vias para o resolver.
Todo o ser humano é pela "lei do menor esforço".
E é por isso que eu tenho receio que o aborto se vulgarize: porque é garantido pela LEI.

mãe babada disse...

Ana, era tão bom que todas as adolescentes tivessm uma madrinha que lhe desse 600 euros (que para um bebé, como deves saber não é quase nada)e que lhes dissesse que não se preocupassem com o resto. Infelizmente não é essa a realidade...
Mas também ninguem disse que quem defende o SIM quer que se façam abortos. Mesmo o sim ganhando (que infelizmente não acredito) não quer dizer que a tua prima tivesse que abortar, não é? Poderia ser ajudada da mesma forma. Agora todas aquelas adolescentes que não tivessem madrinhas escusavam de ir parar à cadeia. Parece-me a mim que ninguem faz um aborto por prazer. Não será penalização suficiente? Não terão estas pessoas direito a assistência médica?
A mim parece-me que SIM!

ursitazul disse...

por isso é que eu digo que despenalização é diferente de banalização. Eu tb tenho medo que as pessoas passem a encarar o aborto como um procedimento normal e rotineiro, e é claro que todos temos de lutar contar isso. Aí é que entramos nós e consciencializamos as nossas crianças, e entra o estado para implantar a educação sexual nas escolas, e "criamos" mais casas do género "ajuda de mãe", etc. e tal. mas não é proibindo o aborto que estamos a lutar contra ele,como podemos ver actualmente. E não comento mais que este espaço não é meu e eu tb não pretendo mudar a opinião de ninguém, estou só a expor a minha e acho que já consegui.

Ana A. disse...

Se ninguém faz um aborto por prazer - eu tb acredito nisso, atenção! - por que não procura ajuda para não o fazer? Há insituições precisamente para essas pessoas que "não têm uma madrinha que lhes dê 600 euros", para as ajudar a não recorrer ao aborto.
Não têm notoriedade na Comunicação Social, nem tão pouco apoios estatais (sobrevivem por donativos de particulares), mas existem. Estão lá.
Por que não procurar ajuda?

Bom, tb me vou calar. Já disse de minha justiça, e tou no ir.
Esta é a minha opinião. Também está vincada e não a mudo.
Boa noite a todas.

Anónimo disse...

Desculpa inês esta invasão!!! Mas em que planeta vive a Ana??? No mundo da fantasia onde tudo acaba bem??? N. percebe que em Portugal as ajudas do estado são nulas e que grande partes das familias não podem ajudar? Tomara elas conseguirem fazer face a todas as despesas que não param de crescer. Não são todas as pessoas que teem madrinhas como a tua prima? Sim, ao direito á escolha...

AnaBond disse...

Oh Inês... eu realmente perco as melhores discussões ;)
(o tempo é escasso, não fikes tiste cumigo, tá?)

Ana A. ... eu consigo compreender que defendas o Não, e pelo que li, até o defendes bem.
Eu neste caso defendo o Sim. Sou contra o aborto liberalizado, mas sou a favor da despenalização.
São coisas diferentes.

Posso-te dar três exemplos que conheço. No referendo de 98 uma vizinha/amiga votou Não. Passado um ano abortou porque não tinha condições financeiras (e era menor) para ter um filho. Felizmente não teve consequências e conseguiu ter uma filha uns 5 anos mais tarde.
Duas pessoas diferentes que conheço tiveram de ir abortar em Espanha porque as crianças tinham sérios problemas quando fizeram a primeira eco, mas aqui em Portugal só fazem amniocinteses a partir dos 5 meses, altura que praticamente nenhuma mãe está sujeita a fazer um aborto e o estado não o faz.
E conheço uma amiga da minha irmã que teve uma filha aos 15 anos. Saiu da casa, foi expulsa de casa, ficou sozinha com o namorado (posteriormente marido e felizmente que ele ficou com ela senão ficava sozinha), não lhe davam trabalho e morava num T1 numa cave cheia de humidade e sem condições. Se ela está arrependida? É claro que não, pela filha, mas não era a vida que ela queria para uma filha dela.

É muito bonito dizer que podem dar apoios e afins a pessoas que não têm condições, mas em 98 ganhou o Não e desde então o que foi feito para ajudar quem precisava?
O nosso dinheiro foi para onde? Estádios? Auto-Estradas?

É tudo muito bonito e de certeza que todas as pessoas neste país, a favor do Sim, do Não e aquelas que ainda não sabem o que querem, gostavam que o estado ajudasse mais quem precisa... mas alguma vez o fará? Nunca! Os bolsos deles são bem mais importantes. Sejam eles quem forem.

Estas questões irritam-me. Irritam-me porque não se discute o que verdadeiramente é preciso. E constroem-se campanhas com mentiras, calúnias e tudo o que sirva para cada um pensar de uma forma errada.

A realidade é outra.
Eu não faria um aborto só porque sim. Mas se por acaso precisasse de o fazer, gostaria de não ser condenada por isso. Há mil e uma razões para que uma mãe pense em abortar, e nem uma delas é pensada de ânimo leve. Duvido que haja uma única mulher que não preferisse ter um filho que passar por um aborto. Eu pelo menos não conheço nenhuma.

Desculpa Inês... a culpa é tua. Não me puxasses por mim e eu não teria falado isto tudo. :P

Anónimo disse...

ó anabond, como é que a sua vizinha menor pôde votar no referendo de 98? os menores podem votar?!!!!!! não vale a pena inventar histórias.

Leonor disse...

Pessoal, estes debates são sem duvida interessantes, mas isto é um daqueles assuntos que não dá para debater. As opiniões são de tal modo diferente, as ideias são de tal modo fixas, que se torna impossível. A um certo ponto os a favor do SIM são chamados de assassinos, e os do NÃO de burros. E isto assim não dá! Uma sugestão... guardem para vocês, no dia 11 vão votar, façam o que a vossa consciência mandar. Mas discussões já dá para ver que não vale a pena... se isto fosse ao vivo, já haviam ovos e tomates pelo ar.
Beijinhos

de mim para disse...

devia de haver outro quadradinho com a palavra "depende".

Leonor disse...

Me: exactamente.

Alexandra disse...

Ah mulher assim é que se fala... e também acho que deviam ser só as mulheres a votar... voto em ti!

AnaBond disse...

ok, dei um erro.
matem-me por isso.

ia-me justificar, mas acho que não vale a pena.
inês, apaga o meu comentário, por favor.

Anónimo disse...

anabond, ninguém te disse que iam matar-te por isso. só achei estranho, e penso que qualquer pessoa repara nesse erro... agora está visto que deves ter inventado a história, ou então não sei: será que a tua vizinha não votou, ou será que ela não era menor?
claro que valia a pena justificares-te, assim, estás a fugir.
mas tu é que sabes, não me leves a mal... mas não consegui deixar passar ao lado isso.
beijos

Anónimo disse...

Conheço uma pessoa que abortou alegando que não tinha condições para ter mais nenhum filho (tinha 2). A verdade é que tinha uma televisão em cada divisão da casa...
Muitas vezes andei por casas de pessoas desfavorecidas a entregar comida e a perguntar se precisavam de ajuda. Lamentavam-se,lamentavam-se...entretanto, eu olhava para dentro de casa e tinham mais de 3 telemóveis pousados em cima da mesa.
Se eu acho que a pessoa que eu conheço (e por quem tenho muito carinho) deveria ir parar à cadeia? Porque não? Afinal de contas, MATOU uma criança por puro egoísmo.

AnaBond disse...

eu, fugir? nã, eu dou a cara, não me escondo.

que eu saiba acusaste-me logo de inventar histórias. e continuas a acusar.
eh pah, se calhar até me conheces e sabes que sou mentirosa, certo? porque fazia toooodo o sentido inventar histórias destas.

porque não me queria justificar.... ainda pensei em fazê-lo. todas as outras mereciam uma 'justificação'.
mas da maneira com que me acusaste de ser mentirosa, que pelos vistos tu conheces-me e sabes que eu o faço, não vale a pena estar aqui a tentar arranjar desculpas pelo meu erro...
até porque este post em nada tem a ver com isso.

mas já agora... fiz as contas, que devia ter feito à pouco. em 1998, essa rapariga tinha 20/21 anos, mais ou menos da idade da minha irmã. eram as melhores amigas na altura. pensei eu, à pouco, que ela fez o aborto porque era menor e porque não iria ter apoio da família.
fui estúpida porque não pensei a sério no que estava a escrever.
estava com pressa para ir fazer o jantar do meu filho de 3 anos e já estava atrasada.
mas depois de ter recebido um telefonema e uma indirecta da Inês ;) vim cá espreitar o blog dela. e como este assunto tira-me do sério, achei eu que podia dar a minha opinião.

mas se de tudo o que escrevi apenas reteste que uma das histórias que descrevi em duas ou três linhas tinha uma falha, infelizmente escrevi para o boneco. foi por isso que pedi à Inês para apagar o comentário. isso e o facto de estar aqui a encher comentários que em nada têm a ver com o post... desculpa Inês.

que fique claro para ti. justifiquei-me porque as outras pessoas já o merecem depois desta troca de comentários.
acredites ou não nas histórias, é contigo.
se estou chateada ou incomodada? tenho mais com que me entreter.

mais uma vez, desculpa Inês... por mim podes apagar todos os meus comentários. não quis, de forma alguma, que alguém achasse que eu invento histórias só porque me apetece. mas se alguém acha isso... enfim, ossos do ofício da net.

(Inês, é por estas e por outras que cada vez mais leio menos blogs... há muita gente interessada em picuinhices do que realmente conhecer seja quem for. acredita que não estou chateada nem nada, mas... depois falamos, tá? beijos)

scaf disse...

AnaA., se votar 'não' implica que as coisas vão mudar da forma que descreves, então vou mudar o meu voto. Acreditas mesmo que se o 'não' ganhar alguma dessas coisas vai acontecer? Mudou, desde o último referendo? Não me parece.

Ana Sousa disse...

Giro, giro, no meio disto tudo, são os anónimos...
(aqui e em taaantos sítios...)

Por favor...

Mar disse...

Código Penal
Artigo 140º
Aborto

3 - A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.

Quem vota não, vota pela manutenção deste artigo. E, se não quer que a lei se aplique, é hipócrita, sim, porque quer uma coisa e diz outra. Num país civilizado as leis devem aplicar-se quer concordemos com elas, quer não. Se não concordamos, temos que lutar para que mudem. É o que estão a fazer as pessoas que votam sim.
O único não que consigo compreender é o do anónimo que disse que acha que uma mulher que aborta deve ir para a cadeia. Esse é coerente.

Este assunto não é fácil. Tem a ver com valores muito caros a cada um. Mas votar não não vai impedir mulher nenhuma de abortar.

Vão dizer-me que vai continuar a ser crime depois das 10 semanas, pelo que nada muda. Não é verdade. Ao descriminalizar o aborto até às 10 semanas, o que o Estado está a dizer é: há aqui valores em conflito. Durante um determinado prazo, prevalece o direito da mulher a uma maternidade desejada e responsável, a definir o seu projecto de vida, à auto-determinação. Depois disso, prevalece o direito do embrião a desenvolver-se e a nascer, e quem atentar contra ele será punido por lei. Eu acho que é uma solução razoável e correcta. Não é perfeita, mas não vivemos num mundo perfeito.

A coisa que mais me irrita em tudo isto é que pessoas adultas, que sabem ler, insistam em responder no referendo a muitas outras coisas e não ao que é perguntado.

(Ó Inês, desculpa o testamento! Bjos! :)

Ana A. disse...

Desculpa Inês, só de passagem para responder à Scaf (queria responder-te por mail, mas não o tens no profile): por acaso, até mudou...mas tudo com origem na iniciativa privada. Claro que, como disse anteriormente, estas iniciativas não foram (nem são) divulgadas, precisamente porque o fito dos responsáveis é dar a ideia que nos devemos resignar, já que o aborto é uma luta perdida: mais vale dá-lo à mulher como direito (na Lei, tal como é proposta, o aborto deixa de ser objectivamente um mal, ficando o seu valor entregue apenas ao sabor da opinião pessoal de cada um), a tomar medidas concretas que ataquem as suas causas.
Para isso, muito contribui a ideia do feto como uma coisa ou como prolongamento do corpo da mãe (que é falso) e como origem dos problemas que presidem à decisão em abortar (outra falsidade, que se, por exemplo, se invoca os problemas financeiros como causa de um aborto, não é a criança a causa deste, mas é ela que acaba por "pagar", ficando a mãe, à mesma, com os tais problemas financeiros).
Posto isto, duvido que esta Lei, da forma como é proposta, vá forçar o Governo a tomar uma atitude séria no combate ao aborto. Se a mulher decide, a sociedade respeita e o Estado garante, achas que alguém se vai mexer para acabar com isto?
Eu voto NÃO porque quero de certa forma responsabilizar o Estado na prevenção de um problema, não no seu remendo...

Ana A. disse...

Mar: tal como diz a "me", deveria haver a hipótese do "depende".
Discordo do tal artigo que referes, sim, discordo. Mas também discordo da forma como o Estado quer resolver o problema. Simples.

scaf disse...

Ana A. :): scaferreira@hotmail.com. para usar e abusar à vontade :)

Mar disse...

Ana A.,

Não, não deveria. Depende de quê? Para mim depende de umas coisas, para ti de outras, para a me de outras. Seria impossível obter uma opinião maioritária (unânime) num sentido ou noutro e é disso que o Estado precisa. Que uma maioria lhe diga o que deve fazer nesta matéria. Os referendos são sempre, necessariamente, um sim ou um não. Os "depende", temos que os resolver na nossa consciência antes de votar.

Respeito quem vota não e compreendo alguns. A ti, respeito-te, mas, sinceramente, não compreendo. Se não concordas com a solução penal, porque é que votas a favor dela? O Estado não passa a dizer que o aborto não é um mal, com a despenalização - é um mal tão grande que continua a ser crime a partir das 10 semanas (e eu acho bem. Não sei se a partir das 10, das 12 ou outro prazo, mas concordo com um limite a partir do qual há crime). Além disso, nada impede que se façam campanhas contra o aborto, que se acompanhe a reflexão das mulheres que têm que escolher, que se distribuam contraceptivos e se faça educação sexual. Nada impede (e a Constituição até obriga, só que não a cumprem) a que se apoie qualquer mulher que queira ter o seu filho e não tenha condições para isso. Aí estamos todos de acordo. Não é o que está em discussão. O que está em questão é só a norma penal.

Anónimo disse...

Todas as pessoas que vão votar Não são hipócritas e deviam ter a hombridade de reconhecê-lo. Dizem que são contra o aborto mas que não querem que as mulheres que recorram ao aborto sejam presas. Agora pergunto-lhes eu, para que serve uma lei que não é para cumprir? O que está no referendo é o estado a tentar ajustar-se à realidade do aborto e não um “vale tudo” nessa matéria! O aborto nunca se tornará banal porque haverá sempre pessoas que são contra (por motivos pessoais e religiosos mas por favor não invoquem os motivos sociais porque estão a falar de realidades que não conhecem!) Ora o estado português é um estado laico e não poderá nunca influenciar quem defende a sua fé, nem tem que o fazer sequer! Mas despenalizar o aborto não é forçá-lo ou impô-lo a ninguém. Só recorrerá ao aborto quem de facto atingir uma situação desesperante de solidão e desacompanhamento, quem não tenha madrinhas ou familiares que a ajudem de forma alguma.

O aborto é neste momento uma injustiça social. Quem tem dinheiro fá-lo em condições e à margem da lei. Quem não tem arrisca uma pena de prisão e a sua própria vida. Quem vai votar Não deve pensar se deseja manter esta injustiça social e penalizar as mulheres que recorrem ao aborto clandestino em condições de higiene e segurança lastimáveis. Ninguém lhes está a pedir para serem a favor do aborto, a lei apenas pede a todos os cidadãos que sejam solidários com quem mais sofre. Se o Não ganhar mantém-se tudo como está. Se o Sim ganhar, são apenas estas mulheres que terão algum apoio em alturas em que dele mais necessitam. Mantenho que quem apoia o Não é hipócrita porque não consegue pôr-se no lugar de alguém que vive em condições de vida altamente precárias. A não ser que me digam que estão todos dispostos a adoptar essas crianças indesejadas. É o vosso caso? Ou estão dispostos a doar parte do vosso rendimento a estas mulheres que não têm meios para sustentar os filhos? O que fazem os apoiantes do Não pelas mulheres que recorrem aos abortos clandestinos? Apoiar o Não sem fazer nada para aliviar o sofrimento dessas mulheres (e apenas dizer que não querem que elas sejam presas) é uma atitude hipócrita sim.

Eu voto Sim. Pessoalmente sou contra o aborto, porque eu tenho condições de criar uma criança mesmo que ela viesse sem ser planeada. Mas não posso condenar quem não tem condições para dar uma vida decente e digna a um filho. E não quero que a lei condene essas mulheres, acho que a própria vida que elas têm já é pena e castigo suficiente para elas. E claro que sou a favor das campanhas de educação sexual na escola, e também do surgimento de casas de apoio a mães adolescentes, e a favor de adopções mais céleres. As mulheres devem ter muitas opções para além do aborto e até acho que os assistentes sociais que acompanharem as mulheres que pedem para fazer um aborto lhes devem falar sobre outras opções antes de chegar a essa que deverá ser o último recurso. Despenalizar o aborto é também poder mostrar a essas mulheres que há outras opções para além do aborto!

(Desculpa Inês… estiquei-me aqui um bocadito, mas como tu acho que os defensores do Não estão a argumentar de forma errada e espero sinceramente, e a bem das mulheres que são vítimas duma lei injusta e desajustada, que ganhe o sim. Beijinhos, Madalena do fungágá)

Anónimo disse...

(Só agora reparei no comentário da mar que vai no mesmo sentido que o meu! :-P Beijinhos, Madalena)

scaf disse...

Ana A.: a questão é simples: penalizar o Estado não vai nunca ajudar as mulheres e crianças em questão. A mim preocupa-me mais as mortes em vão do que o facto de o Estado não ser punido, só isso!
E se dizes que as coisas mudaram mas simplesmente não são divulgadas....tenho as minhas dúvidas. As mulheres continuam a recorrer ao aborto, mulheres continuam a não ser informadas e seguidas de modo a poderem equacionar uma outra solução que não o aborto, fetos e crianças recém nascidas continuam a aparecer mortas em caixotes do lixo. Esta é a realidade que não vi mudar desde o referendo.

scaf disse...

(e fica o meu pedido de desculpas pelo uso e abuso da tua caixa de comentários inês, mas decidi responder à Ana A. aqui porque a nossa troca de ideias parece-me saudável até ao momento!:))

Ana A. disse...

Porque hei-de reconhecer uma coisa que não sou, apenas porque os outros acham que sou? Você é abortista, só porque alguns apoiantes do NÃO assim apelidam os apoiantes do SIM?

Adiante.
Não sou a favor da penalização da mulher por ter abortado, apenas porque exijo que o Estado se mexa na prevenção do aborto. Só.
O aborto é um mal, quer seja antes ou depois da 10ª semana de gestação.
Mas atenção: apesar de não ser pela penalização da mulher, acho que, nesta história, deveria haver quem respondesse criminalmente - as abortadeiras, os que, de alguma forma, incitam à prática do aborto, afastando as mulheres de recorrer a alternativas...

Ana A. disse...

O que fazem os apoiante do NÃO às mulheres que optaram pelo aborto? Já ouviu falar num projecto chamado "Vinhas de Raquel"?

www.racheslvineyard.org

Refiro que a "satânica" Igreja Católica está profundamente envolvida neste projecto, que é internacional, e tem, também, acompanhamento cá.

Anónimo disse...

Ana A., mas o Estado pode mexer-se na mesma na prevenção de um aborto, e até mais facilmente se a lei for alterada! Porque a mulher que hoje tem medo de procurar acompanhamento passará a poder fazê-lo sem medo de ir parar à prisão, certo?
Madalena

Mar disse...

Ana A.,

Se este país cumprisse as suas próprias leis, nenhuma mulher que abortou poderia ir a esses retiros de apoio, porque deveriam estar todas na cadeia!

Ana A. disse...

Madalena,

Por isso, defendo que quem incitar a mulher a abortar, afastando-a de alternativas (alternativas estas que devem ser a aposta do Estado), é que deverá responder criminalmente.

Anónimo disse...

Ana A.,

Isso já está previsto:

Artigo 140º
Aborto
1 - Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com
pena de prisão de 2 a 8 anos.
2 - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com
pena de prisão até 3 anos.

Ana A. disse...

Mar, então que se cumpra a Lei nesse particular!!!
Porque se não se cumpre a Lei quanto a mulheres irem para a prisão, tb não se está a cumprir nessa parte!
E é nessa parte que o Estado deve actuar!

Anónimo disse...

Ana A., mas então concordas que a lei deve ser alterada certo? As pessoas que incitam mulheres a abortar e que fizerem abortos clandestinos devem ser presas. A lei deverá manter-se inalterada nesse particular.

Madalena

Mar disse...

Ana,

Eu acho que o Estado deve cumprir TODAS as leis. É por isso que quero que a criminalização das mulheres desapareça, porque enquanto existir acho que deve ser cumprida.

Se o SIM ganhar no referendo, as "abortadeiras" continuarão a ser penalizadas, porque só será legal o aborto realizado até às 10 semanas de gestação, num estabelecimento de SAÚDE LEGALMENTE AUTORIZADO. E, aí, poderá haver uma conversa prévia com a mulher, com a sua sensibilização para outras opções e um acompanhamento pós-aborto, se este efectivamente se realizar, para minorar os traumas e incentivar o uso de contraceptivos e o planeamento familiar.

Ana A. disse...

O que me leva a manter a minha posição referente a este assunto é a frase "por opção da mulher". Quem nos garante que estamos MESMO a falar em opção da mulher? Ela pode estar a ser incitada a "optar" por terceiros (família, marido, namorado, patrão...).
Depois, há muitas maneiras de subtilmente levar uma mulher a abortar.
Ora, uma mulher tomada de surpresa por uma gravidez indesejada duvido que esteja de cabeça fria para tomar qualquer decisão que seja. A única coisa que vê é o seu desespero de se ver entalada, e, a menos que seja masoquista :p, quer uma solução rápida para a sua situação. Na carência do seu estado palavras como "o corpo é teu, faz dele o que quiseres" ou ainda "o feto não é uma pessoa, é uma não-vida" ou ainda "o aborto é um mal menor" acabam por ser um incitamento ao mesmo pela ausência de alternativas sérias.
A mulher pode ver-se entre o "mal menor" e o fim do namoro, o fim do casamento, o desprezo da família, o agravamento da sua situação económica, o desemprego, etc, etc, etc...Ora, nesta situação, que pode a mulher "escolher"? Obviamente, o mal menor.
O que também me faz desconfiar desta proposta é isto: pode abrir portas a pressões diversas sobre a mulher. Se eu assino por baixo "por opção da mulher" posso estar a assinar por baixo a tudo isto. E os únicos despenalizados são os verdadeiramente a favor da prática abortiva porque lhes convém, não a mulher.

InêsN disse...

desculpem ter lançado a discussão e não ter aqui voltado mas só agora pude sentar-me, de novo, à frente do pc.
vou deixar apenas uma síntese de resposta a tudo o que li para não me perder:

1 - anabond, não sejas tola, tens muito mais com que te preocupar do que com anónimas blogueiras ;)

2 - ana a., eu acho que concordas com a maioria das opiniões aqui expressadas. simplesmente achas que há uma outra maneira de resolver a questão do aborto. ora a questão referendada não é o aborto em si mas a criminilização ou não das mulheres que optam por abortar. tão e somente isso.

3 - eu acredito que, despenalizando o aborto até às 10 semanas, vai ser muito mais fácil apoiar as mulheres que o vêem como a única solução para a sua situação. porque uma mulher fragilizada que quer abortar não vai pedir ajuda sabendo que o acto que planeia executar é um crime. se o aborto for despenalizado até às 10 semanas, eu acredito que as mulheres estarão muito mais à vontade para pedir apoio, ajuda, bases para ter aquele filho.

4 - resumindo: acredito que se a lei for modificada algo se pode fazer, seriamente, pelas mulheres que se vêem face a um aborto. e acredito que se a lei não for modificada nada mais será.

5 - resumindo ainda mais, e porque elas têm uma facilidade muito maior em expôr as suas ideias, concordo em absoluto com o que foi escrito pela mar e pela madalena (olá!!!!).

(sendo que este tema já foi mais que debatido noutros blogues, nunca imaginei que o meu post tivesse este alcance. mas fico feliz por ver que, por vezes, ainda é possível "dialogar" com seriedade e partilha de ideias.)

Ana A. disse...

:)

Um beijinho a todas. E dia 11 que, ao menos, não ganhe a abstenção. Isso quer dizer que esta questão não terá passado ao lado dos portugueses.

Alda disse...

Grande discussão que para aqui vai! Eu junto-me apenas para deixar a minha opinião. Ser pelo SIM não significa que se seja a favor do aborto. Penso eu que é sinal de que se é contra o aborto clandestino. E essa é uma grande diferença.

Ganhe o Não, que os abortos se vão continuar a realizar (uma amiga minha acabou de fazer um numa clínica muito conceituada de Lisboa!).

Se eu sou contra o aborto? SOU! Se sou contra os abortos clandestinos? TOTALMENTE. E agora, onde ficamos?...

sara disse...

Olá Inês!
Estou a ver que isto está animado, e eu vou dar também a minha opinião.
Alguém perguntou se alguém teve um aborto espontâneo... Eu tive, precisamente às 10 semanas de gravidez. Foi uma experiência traumática, obviamente. Mas não me parece que tenha a ver com a discussão.
Sinceramente, sou contra o aborto. Não me parece que fizesse um, fosse qual fosse a situação... mas quem pode saber o dia de amanhã?
Acho que as mulheres devem ter o direito de optar.
É muito bonito dizer que há alternativas, opções, apoios... E haverá algumas, certamente.
Mas penso que a Ana a., entre outras pessoas, se esquecem que nem todas as mulheres que engravidam vivem nas cidades, onde normalmente existe a "ajuda de mãe"... Como é que uma mulher que vive, por exemplo, numa aldeia de trás-os-montes, tem acesso a essa ajuda? E as ajudas são muito boas e dão muito jeito na gravidez e quando o bebé nasce... mas os bebés crescem, são um compromisso para a vida. E se as coisas são difíceis com um bebé, o que fará quando ele tiver 10 ou 15 anos? As instituições continuam a ajudar? Não me parece.
E em relação à adopção... todos sabemos que funciona mal, devia mudar, mas quando a Ana a. diz que "há mais gente a querer adoptar que crianças a adoptar" está redondamente enganada, obviamente.
Por uma questão de justiça social, vou votar sim. E porque tenho esperança que as mulheres ajam em consciência, e se cometam menos barbaridades contra crianças, como as que vemos quase diariamente nas notícias. Onde esteve o apoio em casos como o da Vanessa, da Joana, da Fátima Letícia, da Sara?
(Inês: desculpa o testamento... mas o assunto não se esgota)

Anónimo disse...

para a anabond: peço desculpa por me ter precipitado no meu julgamento mas de facto parecia. não tens de te jusfificar mas se erraste não faz mal que corrijas o erro. está esclarecido.

para a InêsN: peço desculpa pela invasão. e já agora não sou anónima blogueira, porque não tenho blog, sou comentadora anónima por opção (afinal dar um nome ou não vai dar ao mesmo, não me conhece, ou até mesmo pode ser um nome falso, mas se quiser saber o meu nome é só perguntar)


beijos

Isabel Duarte disse...

ok, anónimo(a), eu quero saber o teu nome completo, o do BI e o de contribuinte. E já agora o do telemóvel também para te poder dizer só a ti que tens a mania que és chica(O)esperta(O), sem ser à frente de toda a gente.

Não há paciência para essa converseta de "ah tu disseste isso, e eu disse aquilo".

Bia disse...

Por problemas no meu serviço o meu endereço mudou para http://esperancadesermaisfeliz.blogspot.com

Bom fim de semana, obrigada por tudo. Jinhos fofos apertadinhos

Bia disse...

Por problemas no meu serviço o meu endereço mudou para http://esperancadesermaisfeliz.blogspot.com

Bom fim de semana, obrigada por tudo. Jinhos fofos apertadinhos

Anónimo disse...

Isabel Duarte: eu não falei para si, falei para a InêsN. Mesmo que seja a sua advogada de defesa, prefiro que a InêsN me comprove isso antes.
bem haja

Anónimo disse...

boa inês, este é (penso) o 96º comentário. parece ser um tema que não deixa ninguém indiferente. (como é que a abstenção foi tão elevada no outro referendo???)

confeso que não li todos os 95 comentários, li bastantes mas não todos.

deixo só mais uma ideia, será que as pessoas que votam NÃO, não percebem que a melhor maneira de evitar a prática do aborto é descriminalizando-o. Só quando uma mulher recorre a um médico num hospital é possível tentar compreender os porquês dessa decisão, é possível o acompanhamento e aconselhamento.
Se querem (e muito bem na minha opinião) lutar contra a prática do aborto deixem as pessoas assumir "às claras" a sua vontade e, então , aí lutem real e objectivamente contra isso tentado perceber o que leva uma mulher (considerando sempre a vontade do "pai") a querer abortar.

nuno

S disse...

Em 98 votei contra, votei contra porque sou uma mulher determinada, porque há muitos meios, porque sou informada, porque dizia que nunca o faria,porque SIM!!

Depois namorei com um rapaz de sonho ao inicio, que se veio revelar uma besta, que me perseguia, que não me deixava acabar o namoro, que não admitia que o deixasse, que me lançou ameaças, que exerceu uma pressão psicológica brutal sobre mim, que praticamente me derrotou...
Pensei estar grávida dele, e sabem qual foi e é hoje o meu pensamento? NÂO, eu não posso ter um filho deste homem, eu Não posso ter um elo de ligação com ele para sempre! O que vai ser do meu filho? o que vai ser de mim? egoista eu? Não penso que seja, vivi uma situação perturbante, assustadora mas real, real como tantas outras, tão real que me fez ponderar a hiprocrisia que é julgar o comportamento dos outros!
Pensei em abortar, pensei onde iria abortar, dos riscos, do medo, do sufoco...
Felizmente foi um falso alarme, mas fez-me mudar a visão de tudo!Dizem vocÊs: se tivesses grávida devias ter o filho e dá-lo para adopção!Ai sim? e como fugia daqui? se ele sonhasse que estava grávida nunca mais me largava!!
Ah mas há mtos meios anticonceptivos!há pois há, mas nunguém garante que um preservativo não roupe...
As utopias deixam de o ser quando nos toca a nós...Muda tudo e como tal, SIM eu gostava, caso estivesse grávida, de abortar num local com condições de higiene e segurança, consciente de todos os traumas que daí adviriam!!

Isabel Duarte disse...

ok,anónimo... leva lá a bicicleta, tu sim, um verdadeiro aborto!

Anónimo disse...

Desculpa InêsN, mas gostava de deixar a minha opinião,... SIM

(ao comentário de S.)
Aplaudo de pé as tuas palavras, a tua capacidade de veres as coisas de modo diferente, embora que "forçada" a isso. Passei por algo MUITO semelhante.
Beijos
Lila

carla disse...

"Pensei estar grávida dele, e sabem qual foi e é hoje o meu pensamento? NÂO, eu não posso ter um filho deste homem, eu Não posso ter um elo de ligação com ele para sempre!"

Aproveito esta frase do comentário da S para dar o meu testemunho.
aconteceu comigo exactamente isso, a diferença é que eu estava mesmo grávida, e tive o filho! Sim, tb ponderei a hipotese de aborto, estive quase a faze-lo, mas não...
Sabem que idade tenho? 20. tenho uma filha de 3 anos...sim, engravidei aos 16 e fui mãe aos 17. Sem apoio da familia, do pai, sem trabalho, sem dinheiro, sem ter uma pequena ideia do que é ser mãe, do que é mudar uma fralda, dar um biberon, nem sabia o que eram cólicas... ninguém chegado a mim me ajudou, aliás... as pessoas chegadas a mim ajudavam-me sim, davam milhares de euros para eu ir ao estrangeiro fazer um aborto, mas não me davam milhares de euros para eu ter esta criança. As ajudas chegaram de amigos, amigos da minha idade, ainda sem trabalho, sem dinheiro, mas ajudaram. Existiu algo a que se chama solidariedade. Ajudas, há em todo lado. Se quisermos, não temos de ter um filho para passar fome. Existem associações e instituições de apoio às mães, sejam elas desfavorecidas, adolescentes.
hoje quando olho para a minha filha, odeio-me por me lembrar que um dia a quis matar. Se eu sinto isso, Imagino que uma mulher que aborte mesmo, deva-se odiar para o resto da vida. Viver com um peso horrivel, sem necessidade disso! É tão melhor sermos mães do que fazermos um aborto, somos tão mais felizes.. então pq contribuir para que isso aconteça? Para criarmos uma sociedade de mulheres depressivas porque vão carregar para smp o peso de terem matado um filho? É para dar trabalhinho aos psiquiatras e psicologos? Pq não ajudar a mulher a ter a criança? Que treta é essa de votar sim para que o aborto se faça com higiene e sem riscos para a saúde? UM ABORTO MESMO FEITO NUMA CLINICA 5 ESTRELAS É SEMPRE PREJUDICIAL PARA A SAUDE DA MULHER!
eu ia deixar de ter a minha filha só porque não queria ter nenhum elo de ligação ao canalha do pai dela? que culpa ela tem? ele nunca quis saber dela. ela não vai ter pai, pelo menos o verdadeiro.
Sabem, eu tb não tive. ironia do destino ou não, também eu me safei ao aborto, tambem a minha mãe acabou por mim escolher a MIM...
Sei que estas minhas ideias e opiniões são alvo de ataque, e que para muita gente não têm qualquer cabimento, e são palavras hipocritas e de burra.
Mas eu estive la... entre a espada, e a parede... ou escolhia uma mão cheia de euros, uma viagem ao estrangeiro e um aborto, uma vida cheia de borgas e sem responsabilidades, ou escolhia aceitar esmolas, viver em casa de alguem, ter uma filha saudavel e ser feliz. Não voltaria atrás...
Eu não tenho muito, até já passei fome e senti frio, mas a minha filha nunca.

Vou votar NÃO...

Bjs

mia disse...

Ana bond faço tuas as minhas palavras.

InêsN disse...

carla, tu fizeste a tua escolha. as outras mulheres têm de ter direito à delas. e eu não as considero piores pessoas por isso.

e, para mim, não se trata de matar um filho. trata-se de não deixar um embrião com 10 semanas prosseguir o seu desenvolvimento. não é o mesmo. mas esta parte da questão é mesmo muito pessoal e aceito que seja vista de modo diferente por outras pessoas.

Leonor disse...

Lá está. Esta questão também depende muito do que a pessoa pensa sobre a vida humana. Para uns começa quando é um feto, para outros quando nasce, e para outros, começa desde o momento da concepçao, que é como eu acho, daí que ache que um aborto passa por ser a morte de uma vida.
Interessante isto. :)
Bjs

Anónimo disse...

Interessante a discussão. Que pena haver pessoas tão mal-educadas. Adiante...

Estou a escrever anónima por opção, e porque quero deixar um testemunho, meu, real, e que vale o que vale.

Engravidei aos 15 anos, de um namoradito. Estava informada, sabia e usava contracepção, mas num descuido, numa irresponsabilidade engravidei.

Abortei numa clinica clandestina, com dinheiro que eu, o namorado, e amigos juntámos. Muito mais tarde do que seria desejável e em condições perfeitamente indesejáveis.

Felizmente não tive complicações, dormi em casa dos meus pais, tudo normal. Eles nunca souberam, e eu prossegui a minha vida.

Deveria ter sido presa?

(pela idade seria inimputável, mas imaginem que tinha 18 anos)

Eu fi-lo, sabendo que era proibido, sabendo que era em más condições, desconfiada de que poderia nunca mais ter filhos, correndo o risco dos meus pais descobrirem, correndo o risco de ser presa. E como eu centenas de miudas fazem, porque estão desesperadas, porque não querem estar gravidas, porque não querem bebés... Se a lei não muda centenas de miudas e mulheres vão continuar a fazer.

Não, não sou a favor do aborto!

Mas para já sou a favor da despenalização.

E acrescento ainda, ninguém vai ser NUNCA obrigado a fazer um aborto. Dependerá sempre da vontade individual de cada um. A mudança da lei não implica que não se melhore a prevenção, a informação.

Dulce disse...

E se eu dissesse que, depois de ler os 104 comentários só me apetece abster-me, isso faria de mim o quê?
...
Sou pelo Não, cheia de dúvidas.
Portanto, uma hipócrita hesitante.

Anónimo disse...

É memso uma questão muito pessoal e não vale a pena estarmos a dizer o nosso ponto de vista, pois acho que somos radicais na n/escolha.

Só gostava de lembrar algo que penso que ainda ninguém referir: a pílula do dia seguinte.... se há um esquecimento ou não se estava prevenida, porquê esperar para ter a certeza se houve ou não gravidez???

Catarina

Jorge disse...

Os comentários, já são tantos, que ponderei nem sequer fazer um, no entanto, devo dizer que li todos um a um. Como existem muitos anónimos, e alguns em que o nome não define sexo, posso estar errado, mas pareceu-me não haver o comentário de um homem. Como tal decidi deixar o meu.

Não vou dizer se vou votar sim ou não, penso que ao terminar a leitura deste comentário poderão adivinhar.

Tenho pouco mais que 30 anos, considero-me uma pessoa informada, alerta sobre as questões de saúde que a todos nos dizem respeito, assim como sobre os métodos de contracepção... ou seja, sendo uma pessoa consciente e informada, não me ilibida de por vezes me acontecerem coisas, possivelmente indesejaveis.

Tinha eu 21 anos e com a minha namorada tinhamos uma actividade sexual saudáel e pensavamos nós segura uma vez que ela tomava a pilula, e o uso de preservativo eram comum, mas não obrigatório... mesmo assim, fomos confrontados com uma gravidez. Netse caso não haveria pilula do dia seguinte que vale-se apena.

Quando soubemos, estava eu em Portugal e ela no estrangeiro a estudar. Tivemos que lidar com isto pelo telefone, o que como devem imaginar foi muito dificl. Decidimos terminar com agravidez, não por questões financeiras, sociais ou mesmo pessoais. A decisão foi tomada por considerarmos, que os dois queriamos uma crinaça, sim, mas em condições que ambos podessemos receber de braços abertos, num seio familiar saudável e apto a lidar com tudo o que uma criança nos trás.

Hoje sou casado com essa Namorada, temos um filho de quase 3 anos, e se tudo correr bem teremos outro em breve. É evidente que de quando a quando penso "e se", mas não me arrependo, nem nunca me arrenpendi da decisão tomada.

Isto para dizer apenas o seguinte. Independentmente do que acham da minha história, devo informar que o país onde se encontrava a minha, na altura, namorada permite a interrupção voluntária da gravidez, ou seja, desde o momento em que foi informada do seu estado, teve acompanhamento psicológico, onde todas as possibilidades lhe foram colocadas, desde a interrupção, á ajuda social se decidisse continuar com a gravidez, passando pela hipótese de adopção. A escolha foi apenas nossa. Para além disso, a Interrupção foi feita apenas após os médicos terem a certeza que era um adecisão feita com consciência e em condições de higienee segurança.

Para terminar, e porque é disto que se fala quando falamos do referendo.

A decisão tomada foi dificil, e imagino ser sempre, será muito mais se pensar-mos que a decisão poderá ser, temos a criança ou vais para a cadeia, sim porque o facto de um pai desejar a interrupção da gravidez, não o leva para a prisão.

Este comentário já vai longo, mas aqui fica um pontinho de reflexão: O que acham da nova politica alemã 25 mil euros de subsidio por cada criança nascida.

Ana Rute Cavaco disse...

Depois destes comentários todos, e sendo uma pessoa que vota NÃO, sem me considerar hipócrita nem falsa moralista, gostava de acrescentar que duvido que a maioria das pessoas que votam como eu queira ver uma mulher que aborta a ser presa.

A questão é se ao abortar, estamos a terminar uma vida ou não. E eu creio que sim.

Anónimo disse...

Só para dizer que acho o máximo que nesta mesma blogosfera, estas mesmas assinantes de blogues, que vibram com as notícias de mais um positivo, postam fotografias de testes de gravidez ns blogues, correm para o blogger para mostrar a "estrelinha" de 6, 7, 8 semanas... apenas 3 mm mas já com um coração a bater... sim estas mesmas... que fazem correntes de solidariedade quando ocorrem abortos espontâneos, ainda no início da gestação... sim estas mesmas... venham depois para aqui argumentar a favor do SIM usando frases como "não se trata de matar um bebé, mas sim de interromper o desenvolvimento de um embrião de menos de 10 semanas...". Então? Em que ficamos? É uma vida maravilhosa se for desejado, mas pode ser aspirado sem remorsos se não foi?? E para o bebé que diferença faz isso? Não terá o mesmo direito ao potencial de vida que as suas 10 semanas encerram? Será que quem defende o não é que é hipócrita... ou não haverá por aqui tanta, mas tanta hipocrisia disseminada entre quem vai votar sim?
ass.paula matos

Paula disse...

Lendo o comentário anterior e alguns acima, pergunto: e o previsto relativamente a gravidez por violação ou detecção de deficiências no embrião? Melhor talvez será rever toda a legislação.
Entretanto, devem ou não ser presas as mulher que interrompem a sua gravidez? E o parceiro, os pais que apoiam o aborto? Que a justiça seja justa, e se faça cumprir.

jorge disse...

A questão que a Ana Rute coloca é de raiz. A partir de quando se considera que se está a terminar uma vida ou não? Isso eu deixo à comunidade médica decidir cientificamente para a população em geral. Emocionalmente cada um terá, claro o seus valores a funcionar.

Mas queria dizer que quer a lei existente, quer a proposta avançada para referendo, permitem a interrupção de uma gravidez.
As razões que levam as mulheres a abortar agora, continuarão a serem as mesmas. Mesmo aquelas mulheres que querem escolher o sexo do seu filho, e que agora utilizam análises que permitem às 8 semanas saber qual o sexo, e com habilidades do médico abortar e tentar de novo, alegando deficiências n oembrião, continuarão a fazer-lo.

Podemos supor que sendo despenalizado mais mulheres farão abortos, assim como podemos supor que a menina ou mulher que é chantagiada ou obrigada pelo parceiro ou pais a abortar, ao ser devidamente informada e acompanhada por um médico, mude de ideias.

Podemos fazer muitas suposições, mas na verdade a única coisa que mudará não é o que leva uma pessoa a fazer um aborto mas sim a forma FISICA e PSICOLÒGICA como se leva a cabo essa interrupção.

InêsN disse...

para a paula matos: eu não sou a favor da vida pela vida...

sou a favor da vida enquanto vida com qualidade.

no dia em que tivermos uma sociedade perfeita eu serei apoiante da vida pela vida.

Bekas C. disse...

Eu sou pela DESPENALIZAÇÂO do aborto.

Quando é que as pessoas vão perceber que não é a mesma coisa que ser a favor do aborto???

;)

Anónimo disse...

"... e sendo uma pessoa que vota NÃO, ... que duvido que a maioria das pessoas que votam como eu queira ver uma mulher que aborta a ser presa... A questão é se ao abortar, estamos a terminar uma vida ou não..."

Errado!
A questão que se coloca no dia do referendo é se as mulheres q praticam o aborto devem ser julgadas e presas. Essa é que é a pergunta e não devia valer responder a uma coisa que não está a ser perguntada.

Não quer ver as mulheres presas, mas não consegue perceber que o seu voto é para isso que contribui, Ana Rute??

Coerência...

Alexandra

Ana Rute Cavaco disse...

Bekas e Alexandra:

Para além dessa pergunta, a questão que também se coloca é se queremos compactuar com o aborto ou não. E eu não quero.

Fia disse...

Não sou a favor das mulheres que tomam medicamentos para abortar e vão parar ao hospital em risco de vida.

Não sou a favor das pessoas que têm dinheiro vão lá fora fazer abortos em clinicas privadas e as que não têm dinheiro ou fazem abortos clandestinos ou tomam medicamentos para abortar em condições precárias, pondo a sua vida em risco.

Se o "Não" ganhar continuamos a fechar os olhos. Mais, ninguém é obrigado a abortar, quem é contra, na minha opinião, não tem de descriminar quem é a favor e vice-versa.

Eu sou a favor da despenalização do aborto, mas contra o aborto.

Por estes e mais motivos vou votar SIM.

Sofia

Anónimo disse...

Oh Ana Rute e compactuar com o aborto clandestino, já consegue???... ou acredita MESMO que algum aborto deixe de se realizar se o Não vencer?

(E, Paula Matos, será pq as babybloguers que planearam, ou não, os seus bébes e os amam antes mesmo de eles existirem não podem perceber que outras mulheres possam sentir/pensar/agir de outra forma??)

Alexandra

Anónimo disse...

Cá está o grande trunfo do não: são contra o aborto. Tenho a informar que eu também sou.
No entanto, há já 9 anos que se votou NÃO e o que se tem feito até agora? NADA! Continuam a haver abortos em vãos de escada e em condições miseráveis.
Se o aborto for despenalizado, não basta chegar ao hospital e fazer um aborto, é preciso aconselhamento psicológico, garantias que é mesmo o passo a tomar. Com este aconselhamento podem estar a evitar-se abortos.
Não é por votar SIM que vamos estar a matar ninguém, bem pelo contrário.

marília disse...

Ana Rite Cavaco:
Se o NÃO vencer, a Lei mantém-se e, portanto, uma mulher que aborte é punida com pena de prisão até 3 anos. Assim, por definição, não é possível ser a favor do NÃO e, ao mesmo tempo, não querer que uma mulher seja presa por abortar.

Mar disse...

Vou voltar a perguntar (até porque das leituras da blogosfera, me parece uma pessoa sensível e inteligente):

Ana Rute, mas o que é que ser contra o aborto (que eu também sou) tem a ver com o voto no referendo? Só estão a perguntar o que queres que aconteça DEPOIS do aborto ter sido realizado. Porque é que vais responder a algo que não é perguntado?

(Paula Matos: um filho existe na cabeça e no coração das mães muito antes de nascer, às vezes, muito antes de ser concebido. Uma mãe que deseja o seu filho, mesmo que não o tenha planeado, olha para as duas riscas no teste de gravidez e vê uma criança já nascida. Sonha-a, apaixona-se por ela. Todos os seres humanos deveriam ter o direito de nascer assim).

Anónimo disse...

alguma das pessoas que aqui falou abortou? alguma de vocês sabe do que é que está a falar? alguma de vocês tem ideia do que é a decisão de fazer um aborto, do quando se chora, do quanto custa? NÃO ME PARECE!

eu abortei. estaria agora grávida de 7 meses, se não o tivesse feito. fi-lo consciente do que estava a fazer, num país onde a IVG não é crime. fi-lo por várias razões, que valem o que valem mas são as minhas. se calhar para outra pessoa não seriam razão suficiente. para mim foram mais do que isso. fi-lo em concordância com o pai do embrião, que, apesar de não se poder provar quem é, até ao nascimento do bebé, eu sei perfeitamente quem é. aconteceu eu engravidar sem esperar, numa altura em que a nossa relação não tinha estrutura para "aguentar" um bebé. porquê? porque estávamos juntos há 3 semanas (semanas e não meses) quando eu engravidei. não quisémos correr o risco de ter um filho que não tivesse a oportunidade de crescer num ambiente saudável. por outro lado, as nossas situações profissionais eram instáveis e não tínhamos garantias nenhumas de conseguir subsistir.

se me arrependo? sim e não. sim, porque tenho perfeita consciência de que tive um bebé dentro de mim. não, porque continuo a acreditar que foi o melhor para toda a gente. se me lembro disso? todos os dias. e não é raro chorar por me lembrar. dói, custa e a mágoa nunca há-de desaparecer. mas foi uma decisão tomada em consciência, muito ponderada, muito conversada, com todas as opções revistas. fi-lo lá fora porque acho injusta a lei actual. porque sei que o estado não me ia pagar as fraldas nem o infantário da criança e eu não tenho pais ricos que me possam ajudar. só posso contar comigo e eu sozinha não tinha a certeza de conseguir dar ao meu filho tudo o que ele merecia. e para o ver sofrer, prefiro não o ter. tinha amigas a oferecerem ajuda (hardware, nomeadamente), mas as amigas não me podiam valer nas noites em que ele estivesse doente, nos dias em que eu tivesse que faltar ao trabalho para estar com ele em casa e, quer queiramos, quer não, continuamos a viver numa sociedade hipócrita que apoia o nascimento de crianças mas não garante às mães condições reais para as ter. por acaso tenho a sorte de ter uns patrões porreiros, que não me cobrariam o facto de eu ter que ficar de molho com o bebé, mas tal podia não acontecer.

a pergunta do referendo não é se um embrião com 10 semanas é vida ou não (obviamente que é). também não é se somos a favor ou contra o aborto. é só, SÓ, saber se se é a favor ou contra a despenalização do aborto. significa isto que nem o estado acha que oa abortos vão deixar de existir, se vencer o "não". a questão está em saber se vai ser possível realizá-los sem criminalização da mulher ou não.

inês, desculpa a extensão do comentário, mas achei que faltava a esta discussão toda uma opinião de quem já passou por isto e sabe do que está a falar sem ser or saber da história da prima da vizinha da tia da amiga.

( e continuo, obviamente, a ser pelo SIM. )

Leonor disse...

Quero só acrescentar uma coisa:
Eu vou votar NÃO, estou perfeitamente decidida a faze-lo, mas, no entanto, quando leio estes comentários sinto-me dividida. Se leio bons comentários a defenderem o sim, concordo, acho que têm razão, depois vejo os que defendem o Não, também concordo, acho que têm razão... Atenção que ninguém consegue demover a minha opinião nem mudar a minha decisão, mas a verdade é que por vezes fico indecisa, e como disse alguém e bem, também havia de haver um quadradinho a dizer Depende.
Há uma questão que é muito desvalorizada, que é os votantos do não serem a favor da vida e contra a morte Humana. Acham que não é razão para ser votante do NÃO, porque a questão que se põe é se a mulher deve ir presa após o acto do aborto e não se somos a favor do aborto. É óbvio que eu, como votante do NÃO, não quero ver as mulheres irem presas por isso. Aliás, o aborto é ilegal (exceptuando algumas situações) neste país há muitos anos, e eu nunca conheci ou soube de alguma mulher que foi presa por ter feito um aborto. Alguém já soube de um caso assim?
Eu até era capaz de votar sim, por todas as razões mencionadas em muitos destes cento e tal comentários, mas o medo das consequências de um SIM vitorioso, levam-me a não o fazer. Sou a favor da vida, e sim, o facto de se estar a falar de legalizar o aborto, está-se também a falar de matar uma vida, e como sou totalmente contra que se matem vidas, também isso é uma boa razão para que eu vote NÃO. É certo que mesmo que o aborto continuo ilegal ele será feito na mesma, mas agora não me venham dizer, que se o aborto se tornar legal e despenalizarem quem o faz, que os abortos não vão aumentar! Não me venham com contos de carochinha que eu não acredito nisso. Não gosto muito de vir para aqui pegar nas histórias dos outros nem do conheço este e aquele e disse que disse. Mas só para completar esta minha ideia, tenho a dizer que conheço gente que não abortou por este ser penalizado neste país. Se na altura fosse legal, provavelmente teriam abortado. É certo que há muita gente que, quer o aborto seja ou não penalizado, abortam na mesma, mas também é certo que deve haver gente que não é capaz de o fazer. Por isso, é óbvio que se despenalizarem o aborto este vai aumentar, e é ingénuo quem pensa que não!
Por isso prefiro votar NÃO, prefiro que tudo continue como está, e que se façam mudanças sim mas a outros niveis, já aqui referidos, não vale a pena repetir, para que se criem alternativas ao aborto. Porque mesmo que o aborto acabe por ser despenalizado, quando eu ouvir na tv, nas rádios, nos jornais, que ele aumentou drásticamente, que faltam condições em não sei quantos hospitais para o fazerem, eu vou ter a minha consciência tranquila. Se optasse pelo sim já não a tinha.
E ainda: um aborto voluntário é isso mesmo, voluntário. Só faz quem quer, e quem faz deve lembrar-se das consequências do mesmo.
Acho que já disse tudo o que queria nesta fantástica discussão.
Por ultimo quero só deixar aqui um link para um site interessante, se me permites Inês... se não gostares diz que eu apago o comentário e volto a publica-lo sem o link: http://www.independentespelonao.org/

Beijinhos

Anónimo disse...

Ao último comentário...
Sei exactamente do que falas. Cada palavra tua podia ter sido escrita por mim.
Os apoios... deixemos o mundo de ilusões e fantasias e olhemos a realidade - NÃO HÁ APOIOS financeiros nem psicológicos.
Embora com uma relação de mais algum tempo, após ponderar todas as hipoteses, todos os caminhos, não encontramos alternativas que nos permitissem suportar todas as despesas deste filho.
Com um bebé de oito meses, uma casa para pagar e todas as despesas que acarreta, as prestações do carro... Como??? Com um desemprego de surpresa e um ordenado mínimo... Como?
Amigos, família... não têm eles as suas vidas para encaminhar?
Vou votar SIM. Porque passei por tudo o que esta decisão obriga, lá fora, porque no meu país, pago impostos, tenho obrigações, mas não tenho direito de escolher por mim.

Anónimo disse...

Correcção... refiro-me ao comentário da anónima e não ao último

Anónimo disse...

Eu sou pelo Não!!!!!!!!!!!!!
Se me perguntarem se quero que uma mulher faça um aborto em condições miseráveis????????? Não não quero…
Mas também não quero que o faça em boas condições!!!!!!!!!!!
Simplesmente não quero que o faça!!!!!!!!!!!!!

Não consigo que isto aconteça??? Não…mas sem duvida que muitas mulheres (por medo ) não o vão fazer…se for em boas condições, já o fazem…….

Acho que é uma questão complicada!!!!!!!!!!!!! Mas eu voto não…

Já agora...um exemplo (Se bem que estapafúrdio, m…) eu sou totalmente contra o assassínio (desculpem, mas para mim é assim que vejo um aborto).
Eu (como penso que vocês todas) sou contra e DETESTO ou melhor, detestava o Saddam no entanto não concordei com a pena de morte. Pq? Pq n concordo com o assassínio, se o merecia?? Sim, sem duvida…mas em n concordo…
Aqui é a mm coisa….se em algumas condições até entendo, não consigo aceitar!!!!!!!!!!!!!!!!
Se há perigo para a mãe!!!!!!!!!!! Se o filho é de uma violação se é deficiente!!!!!!!dar a opção…ainda estou como diz o outor..são situações diferentes…
Mas se querem saber…eu nem nestas situações sei o que faria…não digo que não fazia mas também não digo fazia….só passando…e espero nunca passar….

p disse...

é por estas e por outras, que acho que a pergunta é que está mal formulada, não devia ser se queremos que a mulher vá presa depois de fazer o aborto. porque não basta responder a esta pergunta, e tudo o que está por trás dela? não temos direito a pensar nas consequências de cada uma, e assim, estudar melhor a nossa decisão?
a pergunta devia ser mesmo: é a favor do aborto? SIM ou NÃO.
ser a favor da despenalização não passa por ser a favor do aborto? não me façam rir! fazer um aborto, não quer dizer que sejamos a favor dele, podemos ser contra? não me façam rir mais!
fazer um aborto por duvidar da felicidade da criança quando nascer? quem somos nós para achar que ela vai ser ou não feliz?
há por aí muitos pobres que passaram fome e comeram com as mãos, que tomaram bamho uma vez por mês, e hoje são pessoas felizes.

adelaide disse...

Atenção: estão para aqui a dizer, que a pergunta é se queremos que a mulher seja despenalizada ou não por fazer um aborto. Agora vamos por partes, se a questão fosse somente essa, então eu votava sim. Mas a questão não é só essa, porque se a mulher for despenalizada por fazer um aborto, os hospitais vão fazer abortos. Certo? Deveriamos apenas responder a essa questão, se a única coisa que mudasse, fosse a mulher não ser presa por o fazer, mas não é só isso que vai mudar. Vão passar a fazer abortos em hospitais publicos e penso que isto também tem de estar em questão, ou não acham? Será que basta acharmos se a mulher deve ir presa ou não? É claro que acho que não! Mas também acho que não temos meios para fazer abortos em hospitais publicos, tambem sou contra a morte de uma vida, e agora? É como disse um comentário a cima, talvez seja a pergunta que está mal formulada ou talvez devesse haver outra pergunta para além dessa.
NÃO, é o meu voto.

Mar disse...

Leonor,

Houve 5 pessoas arguidas em processos de aborto em 2004 e outras 5 em 2003. Foram condenadas duas em cada um desses anos (http://www.gplp.mj.pt/estjustica/justi%E7a_penal.htm, tens que clicar em justiça penal e procurar crimes contra a vida intra-uterina).
Para mim são, ao mesmo tempo, demais e de menos. Demais porque não quero que NENHUMA MULHER seja julgada por ter feito um aborto. De menos, porque este país tem que cumprir as leis enquanto as tiver.

Eu acredito que o número de abortos vai baixar se ganhar o SIM. Vai baixar porque as pessoas poderão ser encaminhadas para os apoios sociais existentes, encontrarão alguém que lhes aponte uma luz ao fundo do túnel. Segundo um estudo muito recente da Associação para o Planeamento da Família (http://www.apf.pt/activ/aborto_portugal.pdf), 14,5% das mulheres em idade fértil já abortaram, percentagem que sobe para 20% se só tivermos em conta aquelas que já engravidaram.

Parece-me que votar a favor da actual lei é fechar os olhos a esta realidade, fingir que ela não existe. Se as coisas continuarem como estão, nunca nos confrontaremos com números absolutos, reais, nunca saberemos, não é? Tudo continuará na clandestinidade.

Mar disse...

Leonor,

Houve 5 pessoas arguidas em processos de aborto em 2004 e outras 5 em 2003. Foram condenadas duas em cada um desses anos (http://www.gplp.mj.pt/estjustica/justi%E7a_penal.htm, tens que clicar em justiça penal e procurar crimes contra a vida intra-uterina).
Para mim são, ao mesmo tempo, demais e de menos. Demais porque não quero que NENHUMA MULHER seja julgada por ter feito um aborto. De menos, porque este país tem que cumprir as leis enquanto as tiver.

Eu acredito que o número de abortos vai baixar se ganhar o SIM. Vai baixar porque as pessoas poderão ser encaminhadas para os apoios sociais existentes, encontrarão alguém que lhes aponte uma luz ao fundo do túnel. Segundo um estudo muito recente da Associação para o Planeamento da Família (http://www.apf.pt/activ/aborto_portugal.pdf), 14,5% das mulheres em idade fértil já abortaram, percentagem que sobe para 20% se só tivermos em conta aquelas que já engravidaram.

Parece-me que votar a favor da actual lei é fechar os olhos a esta realidade, fingir que ela não existe. Se as coisas continuarem como estão, nunca nos confrontaremos com números absolutos, reais, nunca saberemos, não é? Tudo continuará na clandestinidade.

jorge disse...

Fiquei muito surpreendido relativamente ao questionarem a formulação da pergunta. Não estamos a votar na pergunta, mas sim num projecto lei.
Fugir à questão não é solução, aliás verificasse isso porque é o que se tem feito ao longos dos anos.

Leonor disse...

Mar, tu acreditas que se ganhar o SIM o número de abortos vai baixar, eu não consigo acreditar nisso. Acho que é sonhar muito alto.
E depois se ganhar o SIM as pessoas vão ser encaminhadas para esses apoios sociais existentes, e se ganhar o NÃO, não podem ser na mesma encaminhadas para esses apoios?! Não entendi muito bem esse ponto de vista.

sara disse...

leonor:
como é que as pessoas podem ser encaminhadas para os tais apoios actualmente?
com a lei como está, ninguém se vai dirigir a um serviço de saúde a dizer que pensa abortar, obviamente. duvido que os médicos, as parteiras e as curiosas que fazem abortos actualmente e que ganha muito dinheiro com isso não aconselham ninguém, obviamente... é do interesse deles. e aposto que todos vão votar não...

adelaide disse...

jorge, ninguem fugiu á pergunta... simplesmente há quem ache que se deve responder apenas àquela pergunta, sem pensar nas consequencias dessa. e isso não acho correcto. devemos votar com tudo muito pensado, ter as ideias todas em ordem, sobre o que vai acontecer caso um ou outro resultado sejam postos em prática. é a mesma coisa que perguntar a alguem em dieta: queres um hamburger cheio de molhos? a resposta é sim, se a pessoa não pensar nas consequencias que vai ter depois de o comer. a resposta é não, se a pessoa pensar nas consequencias depois de o comer. e torna-se tudo muito mais consciente. (peço desculpa pelo exemplo que nada tem a ver, devem estar a pensar que agora até já metem comida pelo meio, mas foi para exepmplificar)
a mulher deve ser despenalizada caso faça um aborto? para mim a resposta é sim, se eu não pensar nas consequencias desse sim. a resposta é não, depois de eu pensar nas consequencias do sim. óbvio que o não tb tem as suas consequencias, mas para mim podem ser mais fortes as consequencias do sim, do que as do não. depende da mente de cada um.

beijo

Leonor disse...

sara, eu sei que atualmente isso não acontece, o que eu quis dizer é que mesmo que ganhe o NÃO, podem ser criados esses apoios para mulheres que se sentem sem vontade, sem condições e/ou incapazes de serem mães.

maggy disse...

Apesar de ser pelo sim, concordo com a adelaide. Acho que não adianta responder apenas à pergunta especifica porque ela envolve muitas outras coisas que também devem ser pensadas. Por isso acho que devemos pensar no geral, sim. E o resto são opiniões...

InêsN disse...

leonor, o Não ganhou há 8 anos atrás...quantos centros foram criados? quantos abortos foram evitados?

se o aborto continuar ilegal pensam mesmo que as pessoas que não vêem outra solução vão procurar ajuda antes de o fazerem?

Leonor disse...

Inês, eu voto não precisamente com a esperança de que isso mude e de que se criem medidas para que essas pessoas que não vêem solução, passaram a ver.

Anónimo disse...

apesar da questão de se ter que ter em atenção todas as coisas "implícitas" na pergunta do referendo, continuo a achar um enorme contrasenso aquela coisa de se ser contra a criminalização das mulheres que abortam e votar não na mesma...

pb disse...

A pergunta a que temos de responder no referendo nao e' "e' a favor do aborto?". Por mais que possa parecer a seja quem for que esta devia ser a questao, NAO E.

[Tiro o chapeu a InesN, Mar, etc por manterem a postura face ao disparate. Eu gostava de conseguir, ate porque funciona muito melhor, mas perco logo a paciencia.]

sara disse...

leonor:
a minha questão é: admitindo que existem alguns apoios, como é que as mulheres têm acesso a eles? o que eu queria dizer é que, se o aborto for despenalizado, as mulheres podem dirigir-se a um centro de saúde(por exemplo) e dizer que o querem fazer. Aí, podem ser encaminhadas por pessoas competentes, que até lhes podem mostrar outras saídas. Na situação actual não o podem fazer.
é por isso, que tal como a mar, eu tenho esperança que o número de abortos diminua.

Anónimo disse...

falou-se ali atrás algures na p´+ilula do dia seguinte. é uma medida contraceptiva válida, como todas as outras... quando funciona. e nem sempre funciona...

tenho uma amiga muito próxima (agora sou eu a dar o testemunho da amiga) que, apesar de ter tomado a pílula do dia seguinte imediatamente a seguir à relação desprotegida, ficou grávida. porquê? porque a pílula do dia seguite só actua se ainda não tiver havido junção do espermatozóide com o óvulo. basta o espermatozóide ser mais rápido a chegar ao óvulo que nós a chegarmos à farmácia para a coisa se dar.

Anónimo disse...

eu vou votar não porque acho que um aborto é matar uma vida, acredito que a vida começa no momento da concepção, se normalmente matar uma vida é um assassínio e se um assassino tem de pagar pelo crime que comete, então a mulher que aborta também.
por isso sim!!!!!! acho que a mulher deve pagar por essa atitude egoísta e macabra. sei como funciona um aborto, simplesmente o embrião é estrangulado, é MORTO. é crime!!!!! não à despenalização!! matar não é a solução!


MJ

fátima azevedo disse...

Bem, eu acho melhor esperarmos pelo dia 11 :)
Já todos entendemos que existem 1001 opiniões sobre o assunto. Tantos e tantos fundamentos, factos, argumentos, razões, ideias... dezenas.
Gostava só de fazer uma pergunta (mais uma para debater...:P)
E o pai? Acham justo que, se façam abortos sem o consentimento do pai? Não acham que devia haver uma autorização por parte dos dois? O pai tem lá culpa da Natureza ter concedido à mulher e não ao homem, o poder de gerar um filho. Não acho que só por estar dentro do corpo da mãe, que o pai não tenha direito a decidir também.

Agora para os que acham que o SIM, vai fazer diminuir os abortos:

"Espanha

O Aborto foi legalizado na Espanha em 1985, pelo governo socialista de Felipe González. Desde então o número de abortos executados naquele país vem crescendo de ano para ano.

* Ano 2000, 60.000 abortos.
* Ano 2001, 70.000 abortos.
* Ano 2002, 77.000 abortos.
* Ano 2003, 80.000 abortos.
* Ano 2004, 85.000 abortos.
* Ano 2005, 91.000 abortos."

Fonte: Wikipédia

E acham vocês que o SIM vai fazer diminuir os abortos? Sim, pois, está bem...

"Austrália

O aborto legal na Austrália tornou-se um problema de saúde pública, e está levando aquele país à crise demográfica. Tal como na Espanha e em outros países, o numero de abortos executados tem disparado desde que a prática foi legalizada. Em 1985, foram executados na Austrália 66.000 abortos. Esse número saltou para 71.000 abortos em 1987, 83.000 em 1991, 92.000 em 1995, estabilizando-se em torno de 88.000 por ano até 2002. Em 2005, o Ministério da Saúde australiano registrou cerca de 100.000 abortos executados legalmente."

Fonte: Wikipedia

Continuam a acreditar que o SIM vai fazer diminuir os abortos?

Ok... e o Pai Natal este ano foi a vossa casa?

...

Vamos ser realistas. A legalização do aborto, vai aumentar o aborto. E pensar o contrário, acreditem, é sonhar muito alto...

Anónimo disse...

é óbvio que os abortos em espanha aumentam... cada vez há mais portuguesas a ir abortar lá!!! aposto que, assim que for despenalizado o aborto cá (acredito MESMO que vai vencer o SIM) o número de abortos em espanha diminui.

l.

Anónimo disse...

mais uma coisa: o aborto não é legal, certo? logo, a grande maioria doa abortos que se fazem não entram para as estatísticas. as clínicas clandestinas, sendo clandestinas, não são do conhecimento dos organismos oficiais, logo não entram para as estatísticas.

em espanha e na austrália, quando o aborto foi liberalizado, os números anuais aumentaram. mas quem é que nos diz a nós que, na verdade, antes de o aborto ser legalizado, não se faziam mais do que antes?

imaginem: em portugal estima-se que se façam, suponhamos, 10.000 abortos por ano. este é o número suposto e não o número real, visto que, sebdi crime, não temos conhecimento de todos os que são praticados. portanto, o número real tanto podem ser esses 10.000 como 200.000, ninguém sabe. para o ano, com o aborto legalizado, o número sobe para os 20.000. este já é um número oficial, visto que os abortos são contabilizáveis. o aborto subiu ou desceu?

como é que é possível argumentar-se com estatísticas cujo fundo é uma mera suposição, quando os números apresntados são apenas palpites??

l.

fátima azevedo disse...

l., foi precisamente para não dizerem que os abortos em Espanha aumentam porque as portuguesas vão lá fazer, que eu pus também o exemplo da Austrália, assim já não podem dizer que aumentam por causa dos portugueses. Mas não é só em Espanha e na Austrália que os abortos aumentam a cada ano que passa, encontrei muitos mais onde isso acontece, aliás, a maioria, senão mesmo em todos os países em que é legal, o aborto tem aumentado de ano para ano, mas não valia a pena por tudo aqui.
Sim, tens razão, não se sabe se antes de ser legalizado, os abortos eram mais ou menos do que são agora, mas sabe-se que aumentam de ano para ano, e isso é suficientemente grave. Não há UM único ano onde o número seja menor que no ano anterior.
Mera suposição? Penso que estes números são válidos, ainda que não sejam exactamente assim, há uma certeza: o aborto aumenta de ano para ano.

"Na Austrália, o aborto é legal desde a década de 1970. Mas o governo anunciou um plano para reduzir o número de abortos no país, onde anualmente 100.000 crianças são abortadas. Para o governo australiano este número é excessivo. A fim de reduzir a prática do aborto, o governo federal da Austrália vai investir 51 milhões de dólares australianos (aproximadamente 40 milhões de dólares americanos) num programa de aconselhamento à gestante e prevenção do aborto."

fonte: Wikipédia

Só espero que caso o SIM ganhe, Portugal não faça como a Austrália, que esperou que o aborto chegasse ao assustador número de 100 mil por ano, e ponha logo em prática um programa como este. O que eu sinceramente duvido... Aqui preferem gastar dólares, ou melhor, Euros, em campos de futebol.
É por isso que tenho medo de votar no SIM...
Porque infelizmente duvido das capacidades do meu país em investir em programas como este, porquê? Porque tenho os olhos bem abertos, porque sou realista, porque a saúde neste país está um caos (bem como outras coisas), porque há coisas mal feitas, porque há coisas em falta, porque, porque, porque... porque não confio em quem lidera este país para isso. Não confio... enquanto não vir Portugal a melhorar, eu não confio que sejam capazes de controlar a legalização do aborto.
E então eu prefiro votar NÃO.

sara disse...

Parabéns anónimo/a MJ! Mostrou claramente a sua posição!
É contra o assassínio... Não somos todos?
Mas demonstra ser uma pessoa sem o mínimo de respeito pelos outros. Acha que alguém faz um aborto só porque sim? Eu duvido!
Deus queira que nunca se veja numa situação de desespero em que não veja qualquer luz ao fundo do túnel. Mas se isso acontecer, talvez comece a pensar de forma diferente...
E se a sua preocupação é só pela criança que se impede de nascer... pense na vida que terá a mesma criança se vier ao mundo sem condições, sem ser desejada, amada...

Anónimo disse...

não é estranho pensar que um simples roubo de um telemóvel é crime e que matar um bebé não o é?
não será a liberalização do aborto transformar um problema numa solução?
E será que o aborto clandestino vai mesmo acabar? Quando muitas das mulheres que abortam só descobrem que estão grávidas muito depois das 10 semanas. E às 11 semanas os apoiantes do sim já aceitam que a mulher seja criminalizada? A generalidade dos casos que foram a julgamento por prática de aborto, continuarão a ir, porque são feitos após as 10 semanas. E as adolescentes que não querem que os pais descubram, não irão elas continuar a recorrer ao clandestino? E porque se parte do princípio que as mulheres que abortam são mulheres com vidas completamente infelizes, e em condições económicas difíceis. conheço algumas mulheres que abortaram e o fizeram não por nenhuma razão das mencionadas em cima, mas apenas pq n dava jeito, não era ainda hora de serem mães.

Enfim, porque não o raciocínio ao contrário? em vez de recorrerem ao aborto, pq não recorrer ao centro de saúde para prevenir a gravidez. ok, dá trabalho. será mais fácil se calhar se houver "azar" ir abortar, até pq vai passar a ser à borla e seguro.

Eu voto não. Pq não é possível a ninguém garantir com toda a certeza q uma criança vai ou não vai ser feliz.

E o pai? que papel tem nisto tudo? se o aborto passar a ser livre e uma escolha da mulher, a vontade do pai passa a naõ ter qq importância moral ou legalmente.

Obrigada pela atenção,
Inês

madefatima disse...

Bem, tenho seguido esta discussão em silêncio, mas agora gostava de deixar umas palavras...!!
Gostava de dizer que esta discussão foi uma boa ideia, parabéns pela iniciatica, Inês.
Gostava também de mostrar o meu contentamento, por, até agora, em quase 150 comentários, a maioria dos defensores do não, ter posto por terra os fundamentos estúpidos que muitas campanhas arranjam para defenderem o NÃO. Foi dito aqui coisas com muito mais nexo, do que muitas coisas que politicos dizem.
É óbvio que nem todos têm razão, há sempre um ou outro absurdo, ainda assim gostei muito de ver as variadissimas formas como os votantes do Não defenderam a sua opinião. A maioria dos fundamentos aqui transcritos são mais que válidos.
Tanto que mesmo que queira, acho que pouco tenho a acrescentar.
Gostava só de referir que assim como acho estúpido utilizarem a frase irrisória "contribuo com os meus impostos para financiar clinicas onde se pratica o aborto? não obrigada." também para mim é totalmente irrisório ouvir pessoas a dizerem que vão votar sim porque "mais vale abortar do que ver bebés no caixote do lixo".
Há dias foi descoberto um bebé num caixote do lixo, foi acolhido por um hospital, depois vai ser encaminhado para uma instituição, e depois, quem sabe, para uma família adoptiva, onde vai ser imensamente feliz, criar-se-á uma pessoa feliz, que foi abandonada num contentor do lixo. Se a mãe ao invés disso, o tivesse abortado... era menos uma criança feliz no mundo. mas, claro, essa criança, também poderá vir a ser infeliz... tem tantas probabilidades de ser feliz, como infeliz, as probabilidades são exactamente as mesmas do que uma criança que nasce num ambiente de amor, e que não é depositada num caixote do lixo. Exactamente as mesmas.
Ninguém tem o direito de dizer que mais vale abortar porque a criança vai sofrer. NINGUEM, absolutamente ninguém pode ter a certeza de que essa criança vai sofrer, para poder terminar com a vida dela.
E é só.
Parabéns por este debate.
Beijinhos

maria de fatima disse...

Só para corrigir o meu nome que não sei porquê ficou todo junto e com falta de caractéres.

sara disse...

maria de fátima:
Eu acho muito mais desumano deixar um recém-nascido no caixote do lixo do que fazer um aborto...
Acho que não vale a pena descrever aqui as diferenças entre um embrião e um recém-nascido que já tem sensações, sentimentos. E se procurar um bocadinho, mesmo aqui na net, vai ver que existe uma coisa chamada vínculo mãe-bebé, que faz toda a diferença nas primeiras horas de vida. E desculpe que lhe diga, mas cada vez acredito menos em milagres. É possível que uma criança rejeitada pela própria mãe, maltratada,e sabe-se lá o que mais, venha a ser feliz... mas não me parece que isso aconteça muito. Infelizmente.

Mar disse...

Se ganhar o SIM, o número de abortos VAI DIMINUIR, desde que haja um sistema público, gratuito e com garantias de privacidade à mulher grávida, durante o processo de decisão.

Em Itália (que é o país que conheço melhor, porque lá vivi), a mulher que quer abortar, nos primeiros 90 dias, vai a um consultório público. Aí, é obrigatório por lei debater com a mulher e com o pai do embrião, (se ela indicar a sua identidade), todos os apoios sociais existentes, é-lhe prestada informação sobre os seus direitos, eventuais subsídios, a hipótese de adopção. A mulher pode ainda ser encaminhada para outro tipo de apoios (psicológico ou jurídico, por exemplo, se tiver medo de perder o emprego). Se ainda assim, a mulher mantiver a decisão, o médico do centro passa-lhe um atestado e é encaminhada para o hospital, onde é feita a interrupção. Tão diferente do nosso país, em que a grávida que quer abortar só tem que reunir uns euros e ir à esquina mais próxima onde ninguém faz perguntas nem oferece apoios, não é?

Em Itália, o número de abortos tem vindo a DIMINUIR nos últimos anos. Diminuiu 6,2% de 2004 para 2005, e diminuiu 44,8% em relação a 1982, ano em que se registou o maior número de abortos. Estes números não são da Wikipédia, são do MINISTÉRIO DA SAÚDE italiano, números oficiais (http://www.ministerosalute.it/imgs/C_17_pubblicazioni_415_allegato.pdf)
Há outros países em que o número também tem vindo a diminuir, como a Alemanha.

A avaliação da evolução do número de abortos só pode ser feita, com segurança, a partir de alguns anos após a descriminalização. Os números dos primeiros anos não são fiáveis, porque a transição das "abortadeiras" para os hospitais públicos não é, como facilmente se compreende, automática.

Argumentos demagógicos irritam-me muito. Toda a gente é livre de votar não, mas assumam que o que querem fazer é a mandar as mulheres para a cadeia!

AnaBond disse...

Oh pah Inêzoca... não me aguento.
E já sei que vou 'ouvir'.

Continuo a defender o Sim... Continuo a dizer que muito dificilmente passaria por um aborto, mas... nunca se sabe.

E aplaudo também alguns defensores do Não, porque tenho lido algumas coisas coerentes e com nexo.

Só quero frisar alguns pontos.

Falam nos direitos do pai.
Alguma vez questionaram as mulheres condenadas que abortaram sobre o pai? Se o pai consentiu (verbalmente), este também foi condenado?
E os pais que fogem? Que deixam uma namorada grávida só porque não querem ter responsabilidades? Esses não são condenados ou algo do género? (ok, condenar seria demais, eu sei) Mas afinal eles também têm responsabilidades.

Falam também nos abortos que aumentaram em Espanha e na Austrália e em outros países onde é legal o aborto. Principalmente que levou a Austrália à crise demográfica. Pergunto eu... já viram os nossos números em termos de nascimentos anuais? Cada ano que passa nascem menos crianças. E com a crise que atravessamos... quem se atreve ter um terceiro filho? E muitas até um segundo.


E ainda falam em adopções... lembro-me que há uns meses falaram disso na televisão.

Encontrei isto na net, não sei se é fiável, confesso. Mas lembro-me de algo deste género:

Outubro de 2002:
- Nº de crianças em centros de acolhimento ou em instituições da Segurança Social – 11.299
- Nº de crianças em situação de adoptabilidade, acolhidas em famílias de acolhimento, lares de infância e juventude e centros de acolhimento temporário – 715

Divisão por escalões etários:
• 0 aos 3 anos – 249
• 4 aos 6 anos – 159
• 7 aos 12 anos – 229
• 13 aos 18 anos – 78

Primeiro semestre de 2002
- Nº de candidatos (casais e singulares) inscritos – 2335
- Nº de candidatos aptos a adoptarem – 458
- Nº de crianças adoptadas plenamente – 148
- Nº de crianças entregues a adoptantes (à espera de ser decretada a adopção pelo tribunal) – 395

Fonte: Instituto de Solidariedade e Segurança Social

E uma análise do autor:
• 2335 Inscritos – A segurança Social, não tem capacidade de resposta, na análise dos candidatos.
• 458 Aptos – Este número não faz sentido pois se estão aptos deveriam já ter “recebido” uma criança.
• 395 Entregues – As crianças já estão num lar, mas ainda não está tudo resolvido.
• 148 Adoptadas – 1,24 % do valor total (com todos os intervenientes no processo de adopção)
• 11.299 sem família – Este numero é muito grande para ser analisado como um todo.

São números antigos, mas não são muito diferentes.
E não consigo acreditar muito que as crianças nas instituições são felizes.


E pergunto novamente... desde 1998 alguma coisa se fez para ajudar os pais que não querem uma criança?

a mãe dos miúdos disse...

não sendo a favor do aborto, sou a favor da sua despenalização. Vou votar SIM por uma questão de dignidade, aquela que qualqure mulher deveria ter quando (Seja por que razão for) opta por esta via.

e as mulheres que, não tendo dinheiro para ir a Espanha, fazem mezinhas para provocar o aborto e dão entrada nos hospitais por terem o útero furado ou tantas outras situações? Não sei se o número de abortos vai diminuir (mas também acho que essa é uma questão de educação e de cultura, não de legislação) o que tenho a absoluta certeza é que a vida e saúde da mulher não vai ser posta em risco por isso.

Muito mais complicado acho o caso dos médicos que, sendo aprovada a legislação, se vêem obrigados a quebrar um juramento que fizeram. Sendo a questão legal não poderão eles reunicar fazê-lo por razões deontológicas?

Sónia

Anónimo disse...

mas porque continuam a dizer q desde 1998 nada foi feito para ajudar as mulheres q n querem ter o bebé? que bases têm para fundamentar essa opinião completamente demagógica e que nesta altura até dá jeito dizer. na nova lei de bases da seg social foram criados por exemplo apoios aos centros de apoio à vida, isto para enumerar apenas uma das coisas q foram feitas. acham mesmo q as pessoas q defendem o não só aparecem para opinar nestas alturas e q não fazem mais nada em relação ao assunto, o resto do tempo? dá jeito pensar q é assim, mas isso é desvalorizar completamente o trabalho de tanta tanta gente q se dedicou a esta causa. acho demais. falem do que sabem e n falem do q n sabem.

Obrigada,
Inês

Anónimo disse...

em espanha, como no resto do mundo, os médicos fazem o mesmo juramento e não deixam de fazer abortos por isso. um aborto é um acto médico, como é uma operação à apêndice ou um implante mamário. tudo bem: num aborto há um ser que morre, num implante mamário não. mas continuam a ser ambos actos médicos.

l.

Anónimo disse...

fico contente por terem sido criados apoios aos centros de apoio à vida, pena é que quem acaba por recorrer ao aborto nem saiba que existem centros de apoio à vida. Além disso, sabia que Portugal é mais do que Lisboa e Porto? Que apoios existem nesses locais (ainda que duvide que existam sequer nos grandes centros e a existirem só se forma para as filhas das amigas). Alguém acredita que desde 1998 alguém tenha tentado dar apoio a alguma mulher com intenção de abortar?!

Anónimo disse...

forem e não forma

scaf disse...

a autora dos comentários acima sou eu.

InêsN disse...

Inês, podes-me dizer quantos "centros de apoio à vida" existem neste país? é que segundo uma defensora do Não que participou no debate em que estive (era representante do Movimento Mulheres em Acção), esses centros, pensados na altura do outro referendo, acabaram por não ver a luz do dia...

ah, e inês...eu sou assistente social e já tive que dizer a uma mãe desesperada que não podia fazer mais nada por ela. e já vi colegas a darem dinheiro do seu próprio bolso para as suas utentes poderem dar de comer aos filhos...por isso, sim, falo do que sei e não ando para aqui a mandar bitates só porque dá jeito.

Anónimo disse...

Eu irei votar pelo Sim.
Mas não o farei de animo leve.
Considero que a situação actual é pura hipocrisia - quem tem dinheiro recorre ao aborto com a certeza que, salvo raras excepções, não colocará em risco a sua saúde ou vida. Quem não tem, fá-lo nas piores condições.
Além disso, apenas a mulher poderá ser levada a julgamento e condenada, mesmo que a ideia ou exigência tenha partido do "pai" do bebé.
De um lado e do outro, existem argumentos que me chocam e outros com os quais concordo.
Desagrada-me ler cartazes com frases "contribuir com os meus impostos para pagar clínicas de aborto?", mas choca-me muito mais ouvir e ler opinões do género "a mulher tem direito de decidir o que fazer com o seu corpo" ou "a barriga é minha". Não estamos a falar de uma lipoaspiração, mas sim de dar, ou não, oportunidade a um ser humano de se desenvolver ou viver. Também estou de acordo com alguem que disse que um bebé não desejado e abandonado poderá vir a ser feliz no seio de outra família.

Apesar de ser possível evitar (quase a 100%) uma gravidez indesejada, ainda se continua a engravidar sem o desejar. A culpa é, em grande parte, da sociedade em que ainda vivemos, na qual o sexo ainda é visto como algo vergonhoso, embora toda gente o faça. Por este motivo temos jovens com vergonha de ir a uma consulta pedir pílulas ou comprar preservativos, temos pais que preferem fechar os olhos a admitirem que os seus filhos têm uma vida sexualmente activa. Todos preferem olhar para o lado e pensar que isso só acontece aos outros.

Pessoalmente acho que nunca faria um aborto, mas nunca passei por nenhuma situação onde me sentisse totalmente perdida e sem qualquer esperança.

Carla

Mar disse...

Sónia,

Nenhum médico poderá ser obrigado a fazer um aborto. Todos têm direito à objecção de consciência, que é um direito fundamental.

Anónimo disse...

carla,

pois é... eu também sou a favor da liberalização do aborto, mas contra o aborto como método contraceptivo. e também sempre achei que era incapaz de o fazer... até ao dia em que vivi a situação na pele...

hoje, precisamente 5 meses depois de ter feito um aborto no estrangeiro, digo-te isto: sou incapaz de repetir a dose. mas sou sempre, sempre, sempre, pelo sim à descriminalização do aborto.

l.

MC disse...

Inês,

Os meus Parabéns pela forma exemplar como sistematizaste a questão. Apesar de me ter sentido perdida no meio de tantos comentários, retive os da “Mar”, pela objectividade com que abordou o tema e o de uma anónima, que teve a coragem de contar a sua história pessoal. Como sabes (embora por motivos diferentes) não estou a falar na terceira pessoa. Relativamente à actual lei portuguesa, digo apenas que esta não me permitiu interromper legalmente a gravidez (de um bebé com declarada deficiência) às 13 semanas, mas autorizava-me a fazê-lo entre as 19 e as 20 semanas, após o cumprimento de todas as formalidades politicamente correctas. Se isto não é hipocrisia, não sei o que será …

Um beijinho

fátima azevedo disse...

Pois, Mar, se Portugal adoptar um sistema desse género, até acredito que os abortos diminuam, o pior é eu acreditar nessa possibilidade!
Pois, Anabond, num país onde a natalidade tem vindo a baixar, ainda querem liberalizar o aborto, e depois vamos ter mais abortos do que nascimentos, como em certos países.
Pois, acho piada, que conseguem reparar que este país no que diz respeito a adoptar é um desastre, se calhar até sabem que a saúde deste país também é um desastre, a educação embora tenha vindo a melhorar, também não é lá muito boa, conseguem ver isto tudo, mas continuam a achar que Portugal é um país completamente apto para criar sistemas para mulheres que querem abortar, que vão haver todas as condições nos hospitais para se fazer um aborto.
A Inêz referiu que existem centros de apoio à vida, a seguir o anónimo veio dizer que existem poucos e que não acredita que desde 98 alguém tenha dado apoio a uma mulher com intenção de abortar, a Inesn completou que, sabe que esses centros foram pensados mas nunca viram a luz do dia.
E mesmo assim, conseguem acreditar que se o sim ganhar, centros de apoio como esses, vão ver a luz do dia? Parece-me um total contra-senso. Sendo assim, eu também posso acreditar que desta vez se o NÃO ganhar, esses centros de apoio vão ver a luz do dia. Vocês dizem mal de umas coisas, mas conseguem acreditar noutras? Pois eu não!
E depois mesmo que hajam esses centros, são as pessoas que têm de lá ir, porque ninguem vai ter com as pessoas. E as adolescentes? Será que vão? Este é o país onde há mais nº de adolescentes grávidas por ano, para elas, a liberalizaçao do aborto vai ser fantástico! 'Para quê perder tempo a comprar pilulas, e para quÊ usar preservativo? Só incomoda! Se engravidar, vou ali ao hospital e pronto!' E porquê? Porque tb nunca foram criadas medidas decentes para o uso de metodos contraceptivos, porque a educação sexual das escolas também parece que nunca mais viu a luz do dia.
Resumindo, eu acho que para que o aborto seja legalizado neste país, têm de ser postas em prática muitas medidas, no que diz respeito ao sistema de saúde, de educação, social, e simplesmente acho que isso não vai acontecer, que o aborto vai ser liberalizado, os hospitais vão passar a ter uma salinha de aborto, um gabinete com um psicologo falar com a mulher uns 10 min antes, e nada mais! O resto vai continuar na mesma.
Mas esperem, e depois vejam com os proprios olhos. E depois eu venho aqui perguntar quem é que tinha razão.
E agora fico-me.
Beijos

Anónimo disse...

"Um aborto é um acto médico...como tirar o apêndice ou a vesícula..." ou até quem sabe... "um implante mamário"..."a única diferença é que no aborto há um ser que morre".. sim a UNICA diferença(zinha) é mesmo essa... Minhas amigas é importante perceber que um aborto é um assassínio! Deixem-se de paninhos quentes, é mesmo! Todas nós que já estivemos grávidas e babámos na ecografia das 10/12 semanas com o nosso bebé a dar cambalhotas no útero, a levar o dedo à boca... Como é possível argumentar que esse ser não é uma pessoa? Como é possível ficar maravilhado com o documentário da vida in utero e depois dizer que mais vale apagar essa criança porque não será feliz??? Meu Deus eis novamente o erro recorrente de tantas e tantas mães!! Os filhos não são nossos! Eles simplesmente vêm ao mundo através de nós! Minhas amigas... não é nosso direito decidir ou não se essa pessoa que carregamos tem ou não o direito de viver.. ela já existe! Ela já vive! Preocupam-se com a qualidade de vida que não lhe podem dar? Em última análise encaminhem-na para um centro de adopção, mas não a matem.. Acho lindo a frase "no meu corpo mando eu". E no corpo do bebé, quem manda? Uma mulher que por este não entrar nos seus plano o elimina sem remorsos! Ser mãe é dar vida, é matar-se a trabalhar para dar de comer aos filhos, é ter uma vida difícil para que a deles seja mais fácil...não é só ter disponibilidade mental e estabilidade profissional para ser mãe. Desculpem mas mil vezes não! Não vou pactuar com a legalização de um direito que não é direito nenhum. Quem não quer não engravida e se engravida aguente-se à bronca. Quem anda à chuva molha-se... E nem me falem dos adolescentes ou das violações (porque esse caso já está consagrado na lei). Preocupem-se em explicar que ter uma vida sexual é assumir (todas) as consequências que daí podem advir. E o direito à escolha é aí que deve estar, não é depois do bebé existir. Dormem de consciência mais tranquila se o sim ganhar e se puder fazer abortos com todas as condições? Eu não... Eu não mesmo...
ass.paula matos

Anónimo disse...

tb acho q no que diz respeito a outras coisas muita gente é a primeira a falar mal de portugal, mas para criar essas condiçoes todas para legalizar o aborto ja todos falam bem e acham q é possivel.
incrivel como a frase "eu acredito" consegue ser utilizada apenas no futebol e no q diz respeito ao aborto. o resto ja ninguem acredita, ja todos acham q portugal é uma merda.
nao se esqueçam q quando muitos disseram "eu acredito" no futebol, enterraram se de cabeça.
vejam la se nao se vao enterrar agora tb nisto....

Mar disse...

InêsN,

Tenho tentado ajudar ao debate com objectividade, sem perder a cabeça, mas agora acho que a crueldade e má educação se estão a instalar. É pena.
Parabéns pela iniciativa!
Beijo grande!

(paula matos: dorme, portanto, descansada, sabendo que o aborto se realiza na mesma, mas sem condições nenhumas e, muitas vezes, com risco de vida para a mãe - vida esta que, suponho, não interessa nada. Somos mesmo muito diferentes).

Anónimo disse...

O meu nome é Alda. Concordo inteiramente com o(s) comentário(s) da Paula Matos. No meu colo já várias colegas e amigas choraram gravidezes indesejadas... Todas com 20 e muitos anos, informadas, cultas e com carreiras profissionais em andamento. Todas que optaram por, em Espanha ou não, fazer abortos... Todas que meses depois,por continuarem a tomar a pílula aos bochechos apanhavam o mesmo susto e repetiam, com poucas variações, as mesmas frases "Não acredito que vou ter que abortar outra vez! E a prestação do carro que vence na sexta....". Não dá jeito, agora não, sonho muito ser mãe, mas agora não... Pois é, mas não é a mãe que tem que sonhar... E os sonhos daquele bebé? Vai ser feliz ou infeliz? Isso nunca saberemos! Porque até essa possibilidade lhe foi negada. A legalização do aborto só vai banalizar a questão. Vai tapar o sol com a peneira. Vai facilitar o acesso à coisa e massificar o aborto. Vai validar a escolha (que como a Paula diz nem devia ser escolha nenhuma!) deste tipo de mulheres que podiam,com um mínimo de esforço e cuidado, não ter engravidado... Eu voto NÃO.

Anónimo disse...

ja agora nao vi ninguem responder a uma pergunta interesantissima q vi num dos comentarios...
ate as 10 semanas sera premitido e depois nao, se uma mulher descobrir pouco depois disso vai deixar de abortar? nao! vai fazer um aborto clandestino... vá digam me la, acham q deve ir presa? nao pois nao? entao? uma mulher gravida de 9 semanas, e uma mulher gravida de 11 semanas, com as mesmas razoes para querem aborar, têm ou nao os mesmos direitos as duas? é justo que por uma questao de tempo uma possa faze lo e a outra nao? ja que se preocupam tanto com as criancinhas q vao sofrer, é justo q consigam "salvar" a criancinha da mãe q ainda esta a tempo de fazer o aborto para q ela nao sofra nesta vida nem seja posta no contentor do lixo, e nao "salvem" a outra q teve o azar da maezinha descobrir ja mais tarde e ja nao poder fazer o aborto, coitadinha, assim vai nascer para esta vida de merda, vai pra dentro do contentor do lixo... acham justo?
procuram a justiça, a igualdade de direitos, a liberdade de escolha, mas se pensarem bem... estas 3 coisas vao continuar a nao existirem........

P.

fátima azevedo disse...

Mar, creio que não fui mal educada com ninguém. Limitei-me a deixar a minha opinião. Se acha que sou cruel, é a sua opinião, eu tb posso achar uma crueldade matar uma vida. Mas mal educada tenho a certeza que não fui.
Bjs

sara disse...

mar: concordo plenamente contigo. Isto está a deixar de ser uma discussão interessante, estão a começar a aparecer os argumentos cruéis e descabidos.
Só quem nunca passou por um aborto, que não sabe o sofrimento físico e psicológico que este causa, é que pode achar que uma mulher se vai deixar engravidar sucessivas vezes porque não há problema, depois faz-se um aborto.
Tenham juízo e algum respeito pelo ser humano...
Ah... "e os sonhos daquele bebé"... não se esqueçam que se trata de um embrião!

fátima azevedo disse...

Sara, isso é porque tu não deves conhecer de perto, adolescentes de bairros sociais, com 12, 13,14, 15, 16, 17... anos, que sim, são bem capazes de se desleixarem mais nos cuidados, por saberem que um aborto pode ser a solução e de graça.
Sei do que falo.
O que interessa que seja um embrião? É uma vida e basta.
Tb vou optar por abandonar a discussão, já deixei cá bem claras as minhas ideias, e claro que isto é um assunto que se desse, ficavamos aqui infinitamente a discutir porque há visões completamente diferentes. Não me senti ofendida por ninguém porque sei respeitar as opiniões dos outros e a meu ver a discussão até estava interessante, gostei.
Tb deixo mais uma vez os parabéns á Ines pela iniciativa e peço desculpa pela invasão enorme (acho que nunca comentei tanto o teu blog)
Beijos

Anónimo disse...

Oh Sara, você é que devia ter juízo e respeito pelo ser humano... pelo menos por todos os que desta ou doutra forma expressam a sua opinião. Certo? E embrião? Sabe o que significa? Não significa certamente "ainda não é pessoa"... é apenas uma designação científica/técnica para designar esta nova vida na primeira fase de gestação... Não significa "menos vivo que feto", nem tão pouco "menos pessoa que bebé"...

sara disse...

Caro anónimo:
Concordo perfeitamente que um embrião é um ser vivo, mas daí a falarem dos seus sonhos, no meu ver vai uma grande distância.
Só disse para mostrarem algum respeito pelo ser humano, porque há pessoas que se estão a esquecer que as mulheres que optam por abortar também são seres humanos!
E eu acho que sou até bastante tolerante, mas há argumentos que me tiram do sério. Peço desculpa se faltei com o respeito a alguém, não foi essa a minha intenção.

sara disse...

... e respeito tanto a opinião das outras pessoas que vou votar sim no referendo, mesmo não concordando com o aborto, mas dando oportunidade de escolha a quem opte por o fazer.

Anónimo disse...

é, sara... um embrião está na barriga da mãe a sonhar com o curso que vai tirar, com os livros que vai ler, com as viagens que vai fazer...

concordo plenamente contigo: às 10 semanas o que há é um embrião. não é um ser pensante. desculpem a frieza do argumento, mas é isso mesmo. tudo bem, é uma vida em fase inicial de desenvolvimento, mas nã me venham falar de sonhos e coisas do género.

ainda ninguém me conseguiu fazer ver (nem aqui nem noutro lado qualquer) onde e como é que a vitória do NÃO vai diminuir o número de abortos. alguém consegue explicar-me isto, por favor?

opostamente, já me conseguiram mostrar como é que a vitória do SIM pode diminuir o número de abortos.

l. (sou a anónima que contou a história pessoal do aborto feito lá fora, há umas dezenas de comentários atrás)

InêsN disse...

penso que já foram aqui deixados (quase?) todos os argumentos quer para um lado quer para o outro.

penso que não haverá muito mais a acrescentar.

penso que a "troca de galhardetes" (desculpem a expressão) não enriquece o debate.

acabam-se aqui, então, os comentários a este post.

MUITO OBRIGADA a todos os que, de um modo educado e sensato, deixaram aqui o seu ponto de vista! espero que nos tenha feito pensar a todos!

ps - e não me conformo por este post ter mais comentários que o do nascimento da sara :p